LUTO NA ECONOMIA

Economista Chico Lopes, ex-presidente do BC, morre no Rio de Janeiro

Chico Lopes, um dos idealizadores do Plano Cruzado e ex-presidente do Banco Central, faleceu aos 81 anos após internação no Rio.

Publicado em 08/05/2026 às 14:30
Chico Lopes

Faleceu nesta sexta-feira, 8, o economista Chico Lopes, aos 81 anos. Ele estava internado há mais de uma semana no Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro.

Chico Lopes teve papel central em momentos decisivos da economia brasileira nas décadas de 1980 e 1990. Foi um dos idealizadores do Plano Cruzado, durante o governo José Sarney, e atuou como assessor informal na equipe que implementou o Plano Real.

Nascido em Belo Horizonte, em 1945, Francisco Lafaiete de Pádua Lopes formou-se em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Possuía mestrado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e doutorado em economia pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Sua tese, concluída em 1972, tratou do desenvolvimento e crescimento do Brasil.

De volta ao Brasil, Chico Lopes dedicou-se à docência, sendo professor na UnB, FGV e PUC-Rio – esta última, reconhecida por reunir nomes que desenharam o Plano Real.

Ingressou oficialmente no governo do PSDB ao ser nomeado diretor do Banco Central no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1999. No início do segundo mandato de FHC, em 1999, foi indicado para assumir a presidência do BC.

"Foi uma coisa muito custosa para mim. A gente tinha uma ideia de que tinha de ter uma mudança ali, tinha de flexibilizar, tinha de soltar (o câmbio)", relatou Lopes em entrevista ao Estadão, em junho do ano passado.

A passagem de Chico Lopes pelo comando do BC foi breve e marcada por polêmicas. Ele foi indicado para substituir Gustavo Franco em um momento de fragilidade da âncora cambial, quando o real sofria forte desvalorização. Para enfrentar o cenário, criou a chamada banda diagonal endógena, buscando permitir certa flutuação do real. No entanto, não chegou a ser empossado: permaneceu apenas 21 dias como indicado ao cargo.

"O Fernando Henrique não queria soltar o câmbio. O Fernando Henrique queria baixar os juros. E aí veio essa ideia. Eu disse: vamos operar a banda", explicou. "Era uma proposta que o mercado não entendeu. E, na verdade, na hora em que você mexe no câmbio, não tem como ser uma coisa intermediária. Se mexer um pouquinho, vai mexer tudo."

Chico Lopes também enfrentou problemas judiciais. Foi acusado de favorecer os bancos Marka e FonteCindam em uma operação de socorro que levou o BC a vender dólares abaixo da cotação. Em 1999, durante a CPI dos Bancos, chegou a receber voz de prisão por se recusar a depor aos senadores. "Os processos acabaram", afirmou posteriormente.

Na entrevista ao Estadão, Lopes revelou que ainda tinha bens bloqueados pela Justiça e contou que, nos últimos anos, passou a se dedicar à psicanálise. "Eu consegui reconstruir a minha consultoria. Estou bem hoje, bastante aposentado. Escrevi um livro sobre psicanálise. Estou pensando em fazer outro. E continuo acompanhando a economia."