Após Censo Agro atrasado, Pochmann quer pesquisa amostral anual sobre campo no IBGE
Presidente do IBGE anuncia planos para pesquisa anual no campo após novo adiamento do Censo Agropecuário, agora previsto para 2027.
O presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann, anunciou nesta sexta-feira (8) a intenção de implementar uma nova pesquisa amostral anual para coletar informações sobre áreas rurais do Brasil, inspirada na Pnad Agropecuária. O órgão inicia, na próxima segunda-feira (12), a coleta de campo da segunda prova piloto do Censo Agropecuário. O levantamento censitário, originalmente previsto para este ano, sofreu sucessivos atrasos devido a dificuldades orçamentárias.
Em novo adiamento, o IBGE informou que o cronograma atual prevê o início da coleta online em março de 2027, com a coleta presencial começando apenas em junho do mesmo ano.
"A partir dos resultados colhidos, esperamos que, a partir de 2028, o IBGE possa, de fato, implementar uma pesquisa amostral anual no campo, que é o que nos está faltando. Nós temos desde o final dos anos 1960 a Pnad, pesquisa nacional por amostra de domicílios, que era uma pesquisa anual até 2014. De 2015 para cá, temos uma pesquisa amostral por domicílios de maneira contínua, e agora estamos nos preparando, a partir dessa grande operação estatística, para implementar uma pesquisa amostral no agrário brasileiro", declarou Pochmann durante participação, via teleconferência, no evento de divulgação do teste piloto do Censo Agropecuário na Casa Brasil, sede fluminense do Ministério da Fazenda, no Rio de Janeiro.
O IBGE obteve um orçamento de quase R$ 650 milhões para os preparativos do Censo Agropecuário em 2026, viabilizando a coleta de campo em 2027. O cronograma original previa preparativos em 2025 e coleta em 2026, mas o processo foi adiado pela falta de verbas no orçamento da União. O levantamento censitário prevê a coleta de dados de cerca de 5 milhões de estabelecimentos agropecuários em todo o País.
A equipe técnica estimou inicialmente um orçamento adicional de R$ 1,8 bilhão para o ano de coleta do censo, valor sujeito a ajustes para cobrir eventuais necessidades, como atração e retenção de mão de obra e aumento de custos, como combustíveis.
"Ela (operação censitária) é possível porque o IBGE teve orçamento e recursos para iniciar esses testes e toda a preparação. Temos o desafio de garantir orçamento para que, no próximo ano, possamos realizar completamente esse censo", reconheceu Pochmann.
A coleta do teste piloto ocorrerá entre 11 e 22 de maio em cinco municípios: Barcarena (PA), Uruçuí (PI), Rio Verde (GO), Corumbá (MS), Irati (PR) e Viamão (RS). O primeiro teste piloto, realizado em dezembro de 2025, foi conduzido em Juazeiro (BA), Sobradinho (BA), Bacabal (MA), Alfenas (MG), Grão Mogol (MG) e Nova Friburgo (RJ). Os testes buscam validar metodologias tradicionais, mas, desta vez, também incluem sistemas agroalimentares produtivos de povos e comunidades tradicionais.
"Pela primeira vez, esses grupos serão retratados de forma detalhada, garantindo sua representatividade no levantamento estatístico nacional", informou o IBGE.