MP-SP abre novo inquérito para apurar falhas da ViaMobilidade nas linhas 8 e 9
Investigação mira constantes problemas operacionais, acidentes e possível omissão da Artesp na fiscalização das linhas concedidas.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou um novo inquérito civil para investigar as falhas na operação das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, administradas pela ViaMobilidade. A apuração também abrange uma possível omissão da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) quanto à fiscalização da concessão.
A portaria, assinada pelo promotor Silvio Antonio Marques em 30 de abril, cita constantes falhas no funcionamento das linhas, incluindo acidentes, descarrilamentos, problemas de sinalização, atrasos frequentes e superlotação.
De acordo com o documento, a investigação foi motivada por uma denúncia encaminhada à Ouvidoria do Ministério Público, relatando problemas nas linhas 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda. Entre as queixas estão longos intervalos entre trens, falhas de energia, falta de manutenção nos trilhos, evacuação de passageiros e número insuficiente de composições nos horários de pico.
O Ministério Público afirma na própria portaria que a Artesp "já prestou informações nos autos" sobre o caso. Procurada pelo Estadão, a agência reiterou que já se manifestou no inquérito. A ViaMobilidade informou que permanece à disposição das autoridades para prestar "todos os esclarecimentos necessários" e reforçou seu compromisso com a qualidade dos serviços prestados aos clientes.
A portaria também menciona o uso de estruturas da concessionária para fins comerciais e eventos, como um desfile de uma revista realizado com um trem da Linha 9-Esmeralda. O denunciante solicitou ainda que o Ministério Público avalie a possibilidade de cassação da concessão da ViaMobilidade e a transferência da operação para órgãos públicos.
O promotor destaca que, embora a ViaMobilidade tenha firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o governo estadual e o Ministério Público em 2023, isso não impede a abertura de novas investigações em caso de acidentes graves. Pelo acordo, a concessionária se comprometeu a pagar R$ 150 milhões em indenização e antecipar cerca de R$ 636 milhões em investimentos nas linhas 8 e 9.
O novo inquérito também cita o descarrilamento de um trem da Linha 9-Esmeralda em 26 de abril, episódio que provocou transtornos aos passageiros e resultou em novos pedidos de esclarecimento à concessionária e à Artesp.
Segundo a decisão, a concessionária terá 15 dias para informar as causas do descarrilamento, apresentar relatórios técnicos e detalhar as medidas adotadas para evitar novos acidentes. A Artesp também deverá esclarecer quais providências tomou após o episódio e informar se abriu procedimentos administrativos ou aplicou penalidades à empresa.