Lagarde reforça compromisso do BCE com meta de inflação de 2% e destaca preparo para cenário incerto
Presidente do BCE afirma que política monetária segue dependente de dados e pronta para responder a impactos da guerra no Oriente Médio
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, reafirmou o compromisso da instituição em manter a inflação da zona do euro na meta de 2% a médio prazo. Segundo ela, o BCE permanece atento a dados e informações que permitam avaliar como a guerra no Oriente Médio poderá influenciar as perspectivas de inflação e os riscos associados.
"Graças à abordagem de reunião a reunião, sem um compromisso prévio com qualquer determinada trajetória das taxas de juro, estamos bem posicionados para reagir rapidamente, sempre que necessário", afirmou Lagarde em carta a parlamentares europeus, divulgada nesta sexta-feira.
Lagarde explicou que a resposta do BCE aos efeitos econômicos do conflito será guiada pela estratégia de política monetária da instituição, que está "bem equipada" para lidar com a incerteza. Ela destacou três princípios norteadores: primeiro, avaliar a natureza, magnitude e persistência do choque; segundo, focar nos riscos, não apenas no cenário base; e terceiro, adotar um conjunto gradual de opções de resposta, conforme a intensidade e duração do choque e sua propagação.
Na ocasião, Lagarde ressaltou que choques nos preços dos combustíveis fósseis impactam diretamente a inflação, com repasse imediato aos preços de energia no varejo. Além das tensões geopolíticas, eventos climáticos extremos também podem interromper cadeias de suprimento de energia e aumentar a demanda, pressionando ainda mais os preços.
Por outro lado, a presidente do BCE afirmou que a instituição está em uma situação mais favorável do que antes da invasão russa à Ucrânia. "A inflação tem estado em torno da meta de 2% durante cerca de um ano, as expectativas de inflação a longo prazo estão bem ancoradas e a postura da política monetária é amplamente neutra", escreveu.
Lagarde concluiu que os riscos relacionados à energia evidenciam a necessidade de a Europa reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e ampliar a produção local de energia limpa. Segundo ela, essa transição fortalecerá a estabilidade macroeconômica, diminuirá custos de longo prazo, apoiará o crescimento econômico e aumentará a autonomia estratégica do continente.