Ex-padrasto de MC Ryan, 'Diabo Loiro' é alvo de operação contra lavagem do PCC com rodeios
Eduardo Magrini, conhecido como 'Diabo Loiro', lideraria esquema de lavagem de dinheiro do PCC usando empresas de rodeio e transporte no interior paulista.
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo deflagraram, nesta sexta-feira (8), a Operação Caronte, com o objetivo de desarmar um grupo de criminosos suspeitos de lavar dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de empresas de transporte e rodeios. O principal alvo da ação é Eduardo Magrini, o 'Diabo Loiro', apontado como líder do esquema e ex-padrasto do funkeiro MC Ryan SP, que já foi investigado por suspeitas de envolvimento em lavagem de ativos milionários ligados à facção.
A reportagem tenta contato com a defesa de Eduardo Magrini. O espaço permanece aberto para manifestação.
'Diabo Loiro' foi preso em outubro do ano passado, em uma investigação do Gaeco — braço do Ministério Público especializado no combate ao crime organizado —, por suspeita de participação em um plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.
A Operação Caronte cumpre 11 mandatos de busca e apreensão em cidades do interior paulista, incluindo Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 10 milhões em contas dos investigados, além da indisponibilidade de veículos e outros bens vinculados aos suspeitos.
Até o momento, foram apreendidos trânsitos, automóveis, dinheiro em espécie e animais, entre eles o boi 'Império', considerado o terceiro mais bem ranqueado do Brasil.
Mateus Magrini, filho de Eduardo, também é alvo de buscas. Segundo a investigação, ele teria movimentado recursos ilícitos por meio de uma empresa do ramo musical.
Mateus já havia sido alvo da Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, ao lado de MC Ryan, em 15 de abril. Conforme o pesquisador, o funkeiro é ex-enteado de ‘Diabo Loiro’.
O Gaeco participa de uma rede de sócios 'laranjas', empresas de transporte e uma companhia de rodeios utilizada para movimentação de recursos financeiros do PCC. O pesquisador destaca vínculos diretos de ‘Diabo Loiro’ com as empresas e ressaltam que o empresário ostenta patrimônio milionário nas redes sociais.
De acordo com a Promotoria, o esquema de lavagem de dinheiro com rodeios e empresas de transporte opera desde 2016. As suspeitas foram reforçadas após análises fiscais e bancárias do Laboratório de Lavagem de Dinheiro do Ministério Público e de relatórios do Coaf, que apontaram movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
'Diabo Loiro' é considerado membro relevante do PCC no interior paulista. Segundo o Ministério Público, Magrini acumula cerca de 30 anos de envolvimento em crimes, com condenações por tráfico de drogas e uso de documentos falsos desde 1998.
Antes de ser preso, Magrini se apresentou nas redes sociais como ‘influencer digital’, compartilhando fotos de viagens, rodeios e carros de luxo com cerca de 105 mil seguidores.
O nome da operação faz referência a Caronte, personagem da mitologia grega responsável por conduzir as almas dos mortos pelos rios até o submundo de Hades.