Justiça decreta prisão de filho do prefeito de Pindoba por acidente fatal e fraude
José Cícero Cardoso Júnior é acusado de causar morte na BR-316, omitir socorro e utilizar servidores públicos para forjar falsa autoria do crime
O Juízo da Vara do Único Ofício de Atalaia decretou, nesta semana, a prisão preventiva de José Cícero Cardoso Costa Júnior, filho do prefeito de Pindoba, Cícero Cardoso (Republicanos). A decisão, assinada pelo magistrado João Paulo Alexandre dos Santos, atende a um pedido do Ministério Público Estadual (MPE/AL) após o encerramento das investigações sobre um acidente fatal ocorrido em fevereiro de 2025.
O réu responderá por homicídio culposo na direção de veículo automotor — com a agravante de omissão de socorro —, fraude processual, autoacusação falsa e falso testemunho.
O Acidente e a Farsa
De acordo com a denúncia, José Cícero conduzia uma caminhonete Fiat Toro, pertencente à frota oficial da Prefeitura de Pindoba, quando colidiu com uma motocicleta na rodovia BR-316. O impacto resultou na morte de Francillanio Correia Alexandre de Almeida.
As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público revelaram uma tentativa articulada de livrar o acusado da responsabilidade criminal. Logo após a colisão, um homem identificado como Talys Rafael da Silva apresentou-se às autoridades alegando ser o condutor do veículo.
No entanto, a "versão oficial" ruiu diante das provas técnicas:
Dados de Localização: A análise de estações rádio-base (ERB) mostrou que o celular de José Cícero estava no local do acidente no exato momento da batida.
Álibi Falso: O rastreamento do celular de Talys Rafael, que tentou assumir a culpa, registrou que ele estava no município de Mar Vermelho no horário do ocorrido.
Adulteração de Prova: O veículo da prefeitura foi removido e reparado antes que a perícia técnica pudesse ser realizada, o que configurou fraude processual.
Risco à Instrução Criminal
Ao fundamentar o mandado de prisão, o juiz destacou que a liberdade do filho do prefeito representava um risco à ordem pública e ao andamento do processo, devido ao seu prestígio político e influência na região.
"A versão construída para isentar o denunciado de responsabilidade partiu de servidores do município", ressaltou o magistrado em trecho da decisão, apontando o uso da máquina pública na tentativa de acobertar o crime.
O processo principal foi desmembrado em relação a outros três envolvidos que teriam colaborado com o falso testemunho. Para estes, a Justiça avalia a possibilidade de aplicação do Acordo de Não Persecução Penal (ANPP). Até o fechamento desta reportagem, a defesa de José Cícero não havia se pronunciado publicamente sobre a decisão.