VIOLÊNCIA EM SALÃO DE BELEZA

Cliente que agrediu cabeleireiro com faca em SP enviou mensagens com ameaças e ofensas

Conversas divulgadas mostram que agressora ameaçou cabeleireiro semanas antes do ataque; defesa aponta motivação homofóbica.

Publicado em 08/05/2026 às 11:06
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Mensagens atribuídas a uma mulher presa após tentar esfaquear um cabeleireiro em um salão de beleza na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, indicam que ela já havia ameaçado o profissional semanas antes da agressão ocorrida na última terça-feira, 5.

Conversas divulgadas pelo advogado do cabeleireiro Eduardo Ferrare, nas redes sociais, revelaram ofensas e ameaças enviadas por WhatsApp após uma reclamação de cliente por resultado de um corte de cabelo.

"Minha vontade era de ir aí e colocar fogo em você", escreveu a mulher em uma das mensagens enviadas em 14 de abril. Em outro trecho, ela chama o cabeleireiro de "viado infeliz" e afirma que o profissional teria cortado seu cabelo sem autorização. "Parece que estou de corte químico de tão ralo", desabafa em uma sequência de reclamações.

Segundo a advogada de Ferrare, Quecia Montino, o conteúdo das mensagens reforça as hipóteses de premeditação da agressão . Em publicações nas redes sociais, a defesa afirma que um cliente não tentou resolver o impasse de forma amigável e passou a agir de maneira hostil após o salão se recusar a devolver o valor pago pelo serviço.

De acordo com o salão, a mulher esteve no local em 7 de abril para fazer mechas no cabelo. Ela teria manifestado o desejo de ficar "extremamente loira", mas foi orientada a optar pela técnica "morena iluminada", considerada mais adequada para evitar danos aos fios.

O estabelecimento afirma ainda que recomendo tratamentos capilares e um corte para preservar a saúde do cabelo, mas o cliente teria recusado os procedimentos adicionais para não poder arcar com os custos extras. Assim, apenas os mecanismos foram realizados.

Cerca de um mês depois, ela retornou ao salão insatisfeita com o resultado e solícita a devolução do dinheiro. Após uma negativa, um cliente teria se exaltado e atacado o cabeleireiro com uma faca de cozinha. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento da agressão.

A defesa do cabeleireiro afirma que a mulher declarou à polícia que foi ao salão para "matar esse viado infeliz", o que, segundo a advogada, pode indicar motivação homofóbica no ataque.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso foi registrado como lesão corporal, ameaça e autolesão no 91º Distrito Policial e encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim). A mulher foi detida e confessou o crime.

Nas redes sociais, Eduardo Ferrare criticou a repercussão do episódio e afirmou se sentir desamparado. “Mesmo após uma tentativa de assassinato, precisamos vigiar à impunidade”, declarou.