ECONOMIA GLOBAL

Índice de preços dos alimentos da FAO sobe pelo terceiro mês consecutivo em abril

Alta é puxada por óleos vegetais e cereais, enquanto carnes atingem recorde histórico e açúcar recua

Publicado em 08/05/2026 às 09:15
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) registrou alta em abril pelo terceiro mês consecutivo , impulsionado pelos elevados custos de energia e pelas interrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio. O indicador atingiu média de 130,7 pontos, representando aumento de 1,6% em relação ao nível revisado de março e avanço de 2,0% sobre o valor observado no mesmo mês do ano anterior. O principal impulso veio da valorização dos óleos vegetais e dos cereais.

Cereais em alta

O subíndice de preços dos cereais subiu 0,8% em relação ao mês anterior. O trigo registrou aumento de 0,8%, reflexo de preocupações com a seca em regiões dos Estados Unidos e Austrália, além da expectativa de menor planejamento em 2026 devido aos altos custos de fertilizantes — cenário agravado pelo fechamento do Estreito de Ormuz. O milho avançou 0,7%, sustentado por oferta sazonal restrita, clima adverso no Brasil e demanda firme por etanol. O índice do arroz subiu 1,9% em função dos custos crescentes de produção e marketing. Em contrapartida, o sorgo recuou 4,0%.

Carne record, laticínios alcançados recuam

O subíndice de carnes atingiu novo recorde histórico, com alta de 1,2% no mês e de 6,4% na comparação anual. A carne bovina alcançou preço inédito, impulsionada por cotações mais altas no Brasil devido à oferta limitada de animais prontos para abate e à recomposição do rebanho. A carne suína também subiu, puxada pela demanda sazonal na União Europeia. Em contrapartida, os laticínios caíram 1,1%, reflexo da oferta abundante de leite na Europa e Oceania.

Açúcar tem forte queda

O subíndice de lucro recuou 4,7% em abril (-21,2% no ano), inspirado pela expectativa de ampla oferta global, com melhores perspectivas de safra na China e Tailândia e início da colheita no Brasil.

Óleos vegetais lideram alta

O subíndice de óleos vegetais saltou 5,9% em abril, atingindo o maior patamar desde julho de 2022. Segundo o economista-chefe da FAO, Máximo Torero, a alta foi puxada pelo encarecimento do petróleo, que elevou a demanda por biocombustíveis e pressionou como cotações de palma, soja, girassol e colza. No caso do óleo de palma, os preços subiram pelo quinto mês consecutivo diante da perspectiva de menor produção no Sudeste Asiático.

Perspectivas para 2026

A FAO revisou para cima sua projeção para a produção mundial de cereais em 2025, estimando 3,04 bilhões de toneladas, alta de 6,0% em relação ao ano anterior. Para 2026, porém, a estimativa para o trigo foi reduzida para 817 milhões de toneladas, o que representa queda de cerca de 2% frente ao ano passado, refletindo incertezas sobre custos de insumos e energia diante da crise no Estreito de Ormuz.