'Sem perspectiva de futuro': o que está tornando os jovens mais conservadores?
Desaprovação ao governo, crises recentes e busca por pertencimento explicam avanço do conservadorismo entre jovens no Brasil e no mundo.
O avanço do conservadorismo entre jovens já não é um fenômeno isolado do Brasil. Uma pesquisa da AtlasIntel mostrou que a desaprovação do governo Lula entre pessoas de 16 a 24 anos chegou a 72% — índice muito acima da média nacional.
Tendências semelhantes foram observadas nas eleições recentes dos Estados Unidos e da Alemanha, onde partidos conservadores cresceram entre os mais jovens.
Para a cientista política Clarisse Gurgel, essa mudança está ligada a uma geração marcada por crises sucessivas: pandemia, instabilidade econômica, precarização do trabalho, mudanças climáticas e uma sensação constante de insegurança. "Essa juventude mudou. É uma juventude que não tem tanta perspectiva de futuro", afirma.
Segundo a pesquisadora, o avanço da direita não se explica apenas pelas redes sociais, principal ponto abordado pela esquerda. Ela argumenta que grupos conservadores têm ocupado espaços concretos de acolhimento e convivência — como igrejas, eventos comunitários, festas locais e redes de apoio — enquanto parte da esquerda teria concentrado esforços demais na disputa digital.
"O espaço de convencimento é na rua. É no cotidiano", resume Gurgel.
Para ela, reconstruir vínculos sociais, fortalecer políticas públicas e criar senso de pertencimento são desafios centrais para quem deseja dialogar com uma juventude cada vez mais frustrada, isolada e descrente no futuro.
Por Sputnik Brasil