AVIAÇÃO COMERCIAL

Companhias aéreas solicitam operação excepcional após as 23h em Congonhas

Empresas pedem à Anac autorização para voos além do horário regular em situações extraordinárias, como mau tempo ou panes.

Publicado em 07/05/2026 às 20:39
Reprodução

Companhias aéreas que operam no Aeroporto de Congonhas solicitaram à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorização para operar pousos e decolagens após as 23h, em casos excepcionais. Atualmente, o terminal funciona das 6h às 23h.

O pedido foi encaminhado pela Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), que representa as principais companhias do setor. As empresas argumentam que, em situações de mau tempo, falhas técnicas ou outros incidentes, todo o sistema aéreo é impactado por atrasos e cancelamentos. Uma hora adicional de funcionamento poderia, nesses casos, amenizar os prejuízos.

A Anac confirmou o recebimento do ofício da Abear, que solicita suporte para viabilizar a extensão excepcional e pontual do horário de operações em Congonhas. "O tema foi encaminhado para a diretoria colegiada e está sendo analisado", informou a agência.

A Abear representa empresas como Latam, Gol e Azul, que apresentaram o pleito à entidade. Segundo as companhias, a medida não ampliaria permanentemente a capacidade do aeroporto, mas permitiria concluir operações já iniciadas em situações excepcionais, evitando impactos em cadeia na malha aérea nacional.

A concessionária Aena destacou que prorrogações do horário operacional em Congonhas ocorrem exclusivamente em casos excepcionais, geralmente relacionados a eventos meteorológicos adversos, que afetam milhares de passageiros diariamente e podem gerar desdobramentos em toda a malha aérea do país.

Nesses casos, as companhias aéreas encaminham suas solicitações ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), por meio do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea, responsável por avaliar previamente os impactos operacionais. Se os critérios acordados com a Anac forem atendidos, a demanda é encaminhada ao operador aeroportuário.

Após esse trâmite, a concessionária analisa as condições operacionais e informa sobre a disponibilidade da infraestrutura necessária para uma eventual prorrogação das operações.

No dia 9 de abril, por exemplo, Congonhas foi autorizado a operar até meia-noite, em razão de uma pane que suspendeu voos pela manhã. A decisão atendeu a um pedido das companhias para mitigar os impactos na malha aérea. O problema teria sido causado por um incêndio no prédio do sistema de controle operacional.

Dados da Abear apontam que o incidente resultou no cancelamento de 178 voos e alteração de outros 22, afetando diretamente mais de 38 mil passageiros. O prejuízo operacional foi estimado em R$ 10 milhões.

A proposta das empresas inclui critérios para aplicação do horário flexível, como a exigência de que o evento afete mais de 600 passageiros. Segundo a Aena, Congonhas recebe, em média, 75 mil passageiros por dia.

As companhias reforçam que a medida não implica ampliação permanente da capacidade do terminal, mas oferece alternativa para concluir operações já iniciadas e evitar efeitos em cadeia. A sugestão é que a operação extra não ultrapasse uma hora adicional.

Desde a década de 1970, Congonhas tem restrições para operações noturnas devido ao impacto sonoro na vizinhança. As regras atuais, que determinam o fim das operações às 23h, foram definidas pela Anac em 2008 para mitigar a poluição sonora, já que o aeroporto está em área densamente habitada.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), informou que não foi oficialmente comunicada sobre a proposta. Caso haja formalização, o pedido será analisado pelos órgãos técnicos, com base na legislação e no interesse público.