CIÊNCIA E MEIO AMBIENTE

Nasa revela que Cidade do México afunda 24 cm por ano, alerta para risco urbano

Satélite Nisar detecta, em tempo real, avanço do afundamento da capital mexicana, agravando riscos à infraestrutura

Publicado em 07/05/2026 às 20:14
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Cidade do México está afundando a um ritmo alarmante de quase dois centímetros por mês, segundo novos dados da Nasa divulgados nesta semana. Os sinais do problema já são visíveis em diversas construções históricas na praça central da capital, um dos principais cartões-postais do país.

De um lado da praça, a imponente Catedral Metropolitana apresenta inclinação perceptível. Uma igreja ao lado pende em direção oposta, e o Palácio Nacional, nas proximidades, também está fora do eixo. O fenômeno do afundamento não é novidade, sendo conhecido há mais de um século.

Agora, o afundamento é monitorado em tempo real por um dos mais avançados sistemas de radar já enviados ao espaço. O satélite Nisar consegue detectar pequenas alterações na superfície terrestre, mesmo sob densa vegetação ou céu encoberto.

"O Nisar levou as observações da Terra a outro nível", afirmou o cientista Marin Govorcin, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. "Ele consegue ver qualquer mudança, grande ou pequena, que acontece na Terra de uma semana para outra. Nenhuma outra missão imagética consegue fazer isso."

Embora não seja a primeira vez que o afundamento da Cidade do México é registrado do espaço, a missão Nisar fornece dados mais precisos sobre o avanço do fenômeno e suas variações conforme o tipo de solo. O sistema também mapeou áreas nos arredores da cidade que eram difíceis de estudar devido à complexidade do terreno.

Segundo os novos dados, algumas regiões, como a do aeroporto, estão afundando a uma velocidade superior a dois centímetros por mês — uma das taxas mais altas já registradas no mundo.

Entre os exemplos mais emblemáticos está a estátua Anjo da Independência, na Avenida Paseo de la Reforma. Inaugurado em 1910 para celebrar o centenário da Independência do México, o monumento de 36 metros já recebeu 14 degraus adicionais em sua base devido ao afundamento gradual. O fenômeno é perceptível em toda a metrópole de 22 milhões de habitantes, refletindo-se em asfalto deformado, prédios inclinados e danos recorrentes no sistema de metrô.

"O problema afeta toda a infraestrutura urbana: ruas, tubulações de distribuição e as próprias reservas de água", explicou ao jornal britânico The Guardian o engenheiro Efraín Ovando Shelley, da Universidade Nacional do México.

O afundamento resulta da exploração desordenada da água subterrânea. A Cidade do México foi construída sobre o antigo leito de um rio, tornando o solo pouco sólido. Quando a água é bombeada do aquífero abaixo, o solo se transforma em barro, provocando o rebaixamento da cidade.

O aquífero ainda responde por cerca de metade do abastecimento da capital. Com o aumento do bombeamento em ritmo superior ao das chuvas, o aquífero está encolhendo.

Segundo o engenheiro, isso cria um ciclo vicioso: à medida que a cidade afunda, antigas tubulações racham. Estima-se que cerca de 40% da água bombeada se perde por vazamentos. Somando-se ao aquecimento global, que reduziu as chuvas, a cidade caminha para um cenário crítico.

"Para deter o afundamento, seria necessário suspender a extração de água", explicou Shelley. "Mas, se pararmos, que água vamos beber? A piada é que, se não pudermos beber água, vamos tomar tequila."