MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros futuras encerram em alta diante de incertezas sobre conflito

Ceticismo quanto ao fim da guerra entre EUA e Irã eleva aversão ao risco e pressiona curva de juros no Brasil.

Publicado em 07/05/2026 às 18:18
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Após um início de sessão marcado por otimismo, as taxas de juros futuras inverteram a tendência e fecharam em alta nesta quinta-feira, 7. O movimento foi impulsionado pelo aumento das tensões em torno da guerra entre Estados Unidos e Irã, que deteriorou o ambiente no mercado financeiro global no final do pregão.

Até por volta das 13h, prevalecia a expectativa de um possível acordo entre os dois países. No entanto, relatos de que Teerã impôs condições para reabrir o Estreito de Ormuz e de que Washington considera retomar o "Projeto Liberdade" — operação de escolta de embarcações comerciais — aumentaram a aversão ao risco.

Com o encerramento dos negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 14,045% para 14,115%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 13,499% para 13,635%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 13,584% para 13,725%.

Por volta das 14h30, as taxas já abriam cerca de 5 pontos-base nos vencimentos mais curtos e ao redor de 10 pontos nos intermediários e longos, refletindo o aumento da aversão ao risco após a piora do cenário internacional. O presidente dos EUA, Donald Trump, havia sinalizado na quarta-feira que o conflito poderia ser resolvido rapidamente, mas o impasse sobre as condições impostas pelo Irã e a possível retomada da escolta de navios mudaram o humor dos investidores.

Além disso, os militares americanos receberam autorização para usar bases e o espaço aéreo da Arábia Saudita e do Kuwait, ampliando as tensões na região.

De acordo com Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, outros fatores contribuíram para o esfriamento dos ânimos dos investidores. Entre eles, a liberação do uso de bases pelos EUA em países do Golfo, a negativa do Irã em desbloquear o fluxo de navegação em Ormuz sem reparações dos americanos e um relatório da CIA, divulgado pelo Washington Post, indicando que o Irã pode resistir ao bloqueio naval americano por três a quatro meses sem enfrentar dificuldades econômicas severas.

A análise também aponta que Teerã mantém cerca de 75% de seus lançadores móveis de mísseis balísticos e aproximadamente 70% dos estoques de mísseis de antes do conflito, segundo fontes oficiais dos EUA.

"É um 'morde e assopra' diário", afirma Praça. "O confronto parece estar mais distante de um desfecho do que se imaginava no início do dia, o que elevou o estresse na curva de juros", avalia. Ele destaca ainda que tanto Washington quanto Teerã permanecem inflexíveis em relação à questão nuclear — Trump exige o fim do enriquecimento de urânio pelo Irã, que, por sua vez, não aceita abrir mão do programa. "Esse é um ponto de fricção que dificilmente será resolvido rapidamente", conclui.

Na ponta da oferta, o Tesouro Nacional realizou leilão de 13 milhões de títulos prefixados pela manhã, exercendo pressão adicional sobre os vencimentos longos. Segundo Luis Felipe Vital, estrategista de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, o risco adicionado ao mercado (DV01) foi 366% maior que o do leilão anterior. Apesar disso, Vital pondera que a oferta anterior foi bastante reduzida, o que relativiza o impacto da operação de hoje.

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