MERCADO FINANCEIRO

Ibovespa recua mais de 2% e fecha no menor patamar desde março

Tensão geopolítica e balanços corporativos pressionam Bolsa, que registra maior queda diária em mais de um mês

Publicado em 07/05/2026 às 18:02
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O Ibovespa encerrou a quinta-feira (18) em forte queda, recuando 2,38% e atingindo 183.218,26 pontos, o menor nível de fechamento desde 30 de março. O índice registrou seu pior desempenho diário desde 12 de março, com giro financeiro de R$ 32,1 bilhões. No acumulado da semana e do mês, a Bolsa já recua 2,19%, limitando o avanço no ano a 13,71%.

O movimento negativo foi influenciado pela intensificação do risco geopolítico envolvendo o Irã e os Estados Unidos. Uma análise confidencial da CIA, entregue ao governo Trump, indica que o Irã pode resistir ao bloqueio naval americano por até quatro meses antes de sofrer impactos econômicos mais graves. O relatório também aponta que Teerã mantém cerca de 75% de seus lançadores móveis de mísseis e 70% do estoque de mísseis anterior ao conflito. Além disso, o Irã emitiu novas regras para navegação no Estreito de Ormuz, segundo a imprensa americana.

Com esses desdobramentos, o petróleo apresentou forte volatilidade ao longo do dia. Embora tenha reduzido perdas no início da tarde, os juros dos Treasuries americanos subiram, diante da incerteza sobre um possível acordo entre EUA e Irã. O petróleo WTI para junho, negociado em Nova York, fechou em baixa de 0,28% (US$ 0,27), a US$ 94,81 o barril, enquanto o Brent, em Londres, recuou 1,19% (US$ 1,21), a US$ 100,06 o barril.

A commodity chegou a operar em alta após o The Wall Street Journal informar que Arábia Saudita e Kuwait suspenderam restrições ao uso de suas bases e espaço aéreo pelos EUA, o que poderia facilitar a retomada da escolta de navios comerciais no Estreito de Ormuz. No entanto, informações posteriores da Al Jazeera, atribuídas a uma fonte militar americana, negaram a veracidade da notícia.

Nos Estados Unidos, os principais índices acionários também fecharam em baixa: Dow Jones caiu 0,63%, S&P 500 recuou 0,38% e Nasdaq perdeu 0,13%, após ambos registrarem recordes de fechamento na véspera.

Na B3, a correção atingiu as principais blue chips. Destaque para Petrobras (ON -1,88%, PN -2,22%), que superaram o ajuste do petróleo. A Vale ON recuou 1,43%. Entre os grandes bancos, Bradesco ON caiu 3,25% e PN, 3,89%, após divulgação do balanço do primeiro trimestre.

“Certa frustração com os números do Bradesco, um dos pesos-pesados do Ibovespa, derrubou não apenas os papéis do banco, como também impactou as ações do setor como um todo, que tem relevância enorme no índice”, avalia Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos. “Apesar de operar em sintonia com o exterior, o desempenho da Bolsa brasileira hoje esteve mais atrelado a eventos corporativos domésticos e à queda do petróleo nos preços das ações do setor.”

No campo positivo do Ibovespa, os maiores ganhos foram de Smart Fit (+11,66%), Totvs (+9,46%) e Minerva (+3,78%). Entre as maiores quedas, Vamos (-7,48%), Axia (-6,48%) e Rede D'Or (-6,47%).

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