DIPLOMACIA ECONÔMICA

Lula defende parcerias amplas para exploração de minerais críticos no Brasil

Presidente diz não haver preferência entre países e destaca soberania sobre recursos estratégicos em encontro com Trump

Publicado em 07/05/2026 às 17:37
© ANSA/EPA

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta quinta-feira (7) que o Brasil está aberto a parcerias com qualquer país interessado em investir na exploração de minerais críticos. Lula citou nações como China e Estados Unidos, rivais na disputa global por esses insumos estratégicos. A declaração foi feita após reunião bilateral com o presidente norte-americano, Donald Trump, em Washington.

“Não temos preferência. O que queremos é fazer parceria, compartilhar com empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas, ou seja, quem quiser participar conosco, para ajudar a fazer a mineração, a separação e a produção da riqueza que esses minerais raros oferecem, está sendo convidado”, afirmou Lula em coletiva de imprensa após o encontro.

O presidente reforçou que o Brasil tratará os minerais críticos como uma “questão de soberania nacional” e classificou como “extraordinária” a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto de lei que regula o setor.

Tarifas

Lula também relatou ter discutido com Trump a sobretaxação imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo o presidente, Trump insistiu que há produtos americanos sujeitos a tarifas mais altas no Brasil.

“Ele Trump sempre acha que nós cobramos muito imposto. Argumentei para ele: ‘Não, a média do imposto que nós cobramos de vocês é 2,7%, apenas 2,7%’. Mas ele continua teimando”, relatou Lula. “Trump teimou e disse que tem produtos americanos que são taxados em 12% no Brasil”, acrescentou.

Reunião das áreas comerciais

Lula afirmou ter sugerido a Trump uma reunião entre as equipes comerciais dos dois países dentro de um mês e declarou que o Brasil estaria disposto a revisar tarifas caso seja comprovada alguma sobretaxação. O presidente defendeu ainda a criação de um “plano de metas” para as próximas reuniões.

“Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, vamos ceder. Se eles tiverem que ceder, vão ter que ceder”, afirmou Lula. “Houve divergências explícitas na reunião; o ministro dele disse uma coisa, os nossos ministros disseram outra”, completou.

A reunião

O encontro entre Lula e Trump teve início por volta das 12h40 (11h40 no horário de Washington D.C.) desta quinta-feira, na Casa Branca, e se estendeu por três horas. Foi a primeira reunião presencial dos dois líderes na sede do governo norte-americano.

Lula esteve acompanhado pelos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington César (Justiça e Segurança Pública).

A delegação de Trump incluiu o vice-presidente J.D. Vance, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, o representante comercial Jamieson Greer, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o secretário do Tesouro Scott Bessent.

A relação Lula-Trump

Lula e Trump tiveram o primeiro contato durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro passado, e voltaram a se encontrar na cúpula da Asean, em outubro de 2025.

Desde o início do mandato de Trump, em janeiro passado, a relação entre Brasil e Estados Unidos tem sido marcada por tensões. O governo norte-americano impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros — medida posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos EUA —, sancionou autoridades brasileiras com base na Lei Magnitsky e iniciou investigações sobre supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.