Trump e Lula se reúnem pela primeira vez a portas fechadas na Casa Branca
Encontro abordou comércio, segurança pública e cooperação estratégica em momento de tensão diplomática entre Brasil e EUA
Em uma reunião marcada por temas estratégicos como comércio, segurança pública e cooperação internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebido nesta quinta-feira (7) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. O encontro, realizado a portas fechadas, teve duração superior a uma hora e foi seguido por um almoço entre os líderes.
Lula chegou à Casa Branca por volta das 11h21 e foi cumprimentado por Trump logo ao desembarcar. A pedido do governo brasileiro, a tradicional coletiva de imprensa foi remarcada para após a reunião, alterando o protocolo habitual da Casa Branca, que costuma receber jornalistas antes do início das agendas oficiais.
A comitiva presidencial brasileira contou com a presença dos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
O Palácio do Planalto avalia que o encontro pode contribuir para reduzir a influência de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca. O momento também é considerado sensível, já que Flávio Bolsonaro ganha destaque nas pesquisas e busca ampliar sua interlocução nos EUA com o apoio do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, e de Paulo Figueiredo.
Tensões diplomáticas entre Brasil e EUA
Após dois encontros em 2025, marcados por sinais de aproximação e medidas como a redução de tarifas e o fim de sanções econômicas contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, Lula e Trump voltam a protagonizar divergências em 2026.
Neste mês, Lula comentou os atritos de Trump com o papa Leão XIV, crítico à ofensiva militar dos EUA contra o Irã. "O Trump não precisava ficar ameaçando o mundo", declarou o presidente brasileiro na ocasião.
Pouco depois, a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado a mais de 16 anos de prisão e considerado foragido no Brasil, gerou novo impasse: os Estados Unidos determinaram a expulsão do delegado brasileiro envolvido na detenção, enquanto o governo brasileiro retaliou retirando as credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano em Brasília.
Por Sputinik Brasil