ECONOMIA

CBIC reduz projeção de alta do PIB da construção de 2% para 1,2% em 2026

Entidade aponta aumento de custos, juros elevados e incertezas globais como fatores para a revisão da estimativa

Publicado em 07/05/2026 às 13:46
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) revisou para baixo sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor em 2026, reduzindo a estimativa de 2% para 1,2%. Segundo a entidade, o desempenho do setor tem sido impactado principalmente pela alta nos custos, menor redução da taxa de juros do que o esperado e pelo aumento das expectativas de inflação, impulsionado pelas incertezas decorrentes dos conflitos no Oriente Médio. A CBIC também aponta como risco a possibilidade de queda no nível de atividades devido à possível alteração na escala de trabalho.

No primeiro trimestre de 2026, o índice do preço médio dos insumos da construção atingiu o maior patamar desde o segundo trimestre de 2022, chegando a 68,4 pontos. Conforme a CBIC, o aumento nos preços dos materiais foi intensificado pelo reajuste dos combustíveis e derivados de petróleo, resultado direto dos desdobramentos da guerra no Oriente Médio.

Em 2025, o PIB da construção registrou o segundo ano consecutivo de crescimento, com alta de 0,5%. Apesar do avanço, o resultado ficou abaixo da projeção inicial da CBIC para o ano, que era de 1,3%.

No final de abril, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que as condições financeiras da indústria da construção se deterioraram no primeiro trimestre de 2026, devido aos juros elevados e ao encarecimento das matérias-primas.

Escala 6x1 preocupa setor

O presidente da CBIC, Renato Correia, afirmou que a possível aprovação do fim da escala 6x1 representa uma "preocupação absurda" diante do atual cenário de juros altos e instabilidade internacional.

"Nosso setor emprega mais de 3 milhões de pessoas. Se há um setor que será impactado, dependendo do que for aprovado, é o nosso", destacou Correia, ao comentar os possíveis efeitos da mudança na jornada de trabalho.

Correia enfatizou que a questão não se resume ao aumento de custos. "Se houver redução de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, o impacto será direto nos custos de toda a cadeia. Não apenas na mão de obra nos canteiros, mas também nos materiais que dependem de trabalho humano. O impacto será significativo", avaliou.

Apesar disso, ele reconhece que a melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores é positiva, desde que implementada de forma adequada. "Temos uma guerra, aumento incisivo nos custos de materiais, uma reforma tributária que entra em vigor no próximo ano e já pressiona os preços dos insumos, além de uma taxa de juros que permanece elevada. Somado à questão do 6x1, o cenário é de grande preocupação", concluiu.