MOBILIZAÇÃO ESTUDANTIL

Em greve, estudantes da USP bloqueiam reitoria com cordão humano e cobram novas negociações

Alunos protestam por melhores condições de permanência e assistência socioeconômica, além de reivindicarem reabertura do diálogo com a administração universitária.

Publicado em 07/05/2026 às 13:14
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Estudantes da Universidade de São Paulo (USP) bloquearam a entrada da reitoria com um cordão humano na manhã desta quinta-feira, 7, intensificando a greve estudantil que já dura três semanas. O movimento reivindica a ampliação da assistência socioeconômica e melhores condições de permanência universitária.

O protesto começou por volta das 6h, quando os alunos se posicionaram lado a lado ao redor do prédio da reitoria. Uma nova manifestação está marcada para as 14h.

Entre as principais demandas está a retomada das negociações com a gestão da universidade, encerradas no início da semana após três reuniões. Segundo a reitoria, houve avanços nos encontros, mas a decisão de suspender as tratativas foi criticada pelos estudantes.

Em publicação nas redes sociais, o DCE Livre da USP afirmou que a ocupação é uma resposta à postura da administração diante da paralisação. “Se a reitoria não vai nos receber hoje quinta-feira, não tem motivo para ela funcionar”, declarou a entidade.

Os estudantes também criticaram as declarações do reitor, Aluísio Segurado, e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que, segundo o movimento, tentaram enfraquecer a mobilização. “Quem decide quando a greve dos estudantes acaba são os próprios estudantes”, reforçamos.

O principal ponto de divergência não é reajustado do Programa de Apoio à Formação à Permanência e Estudantil (PAPFE), principal política de assistência socioeconômica da USP. Atualmente, os benefícios variam de cerca de R$ 330 para estudantes com moradia a R$ 885 meses para auxílio integral, além da gratuidade em restaurantes universitários.

A universidade propôs um reajuste com base no IPC-FIPE, elevando o valor integral para R$ 912 e o auxílio parcial com moradia para R$ 340. Os estudantes, no entanto, defendem que o benefício seja equiparado ao salário mínimo paulista, atualmente em R$ 1.804, e pedem a ampliação do programa.

De acordo com a reitoria, o PAPFE atendeu 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em abril. O orçamento previsto para 2026, destinado a auxílios, bolsas, moradia estudantil, restaurantes universitários, esporte e assistência à saúde, é de R$ 461 milhões.

As condições dos restaurantes universitários também são alvo de críticas. Nos últimos meses, alunos relataram problemas recorrentes na qualidade da alimentação, incluindo denúncias de comida estragada e presença de larvas no restaurante da Faculdade de Direito.

A greve foi motivada inicialmente pela criação da Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas (Gace), um bônus para docentes. Após a pressão, os trabalhadores conquistaram a isonomia e encerraram a paralisação, mas os estudantes decidiram manter o movimento e ampliar as reivindicações relacionadas à permanência estudantil.