Rússia confirma cessar-fogo de dois dias com a Ucrânia
Trégua ocorre durante celebrações do Dia da Vitória, mas acusações mútuas de violações marcam o anúncio
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou nesta quinta-feira, 7, que a Rússia adotará um cessar-fogo de dois dias com a Ucrânia, a partir das 0h de sexta-feira, 8.
A trégua foi iniciada na razão das comemorações do Dia da Vitória, no sábado, 9, data que marca a derrota da Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial e é considerada o feriado mais importante do calendário russo.
“Sim, estamos falando dos dias 8 e 9 de maio”, afirmou Peskov ao ser questionado sobre a pausa no conflito, durante entrevista coletiva.
Na segunda-feira, 4, a Rússia já havia anunciado a intenção de cessar hostilidades por dois dias. Horas depois, a Ucrânia também declarou uma trégua, com início previsto para 0h de quarta-feira, 6. No entanto, Kiev acusou Moscou de desrespeitar o acordo.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, afirmou que a Rússia lançou mais de 100 drones e três mísseis nas primeiras horas de quarta-feira.
"Isto demonstra que a Rússia rejeita a paz e que seus falsos apelos para um cessar-fogo em 9 de maio não têm relação com a diplomacia. Para Putin, só importam os desfiles militares, não as vidas humanas", escreveu Sibiga na publicação no X.
Questionado sobre a trégua proposta pela Ucrânia, Peskov respondeu apenas que “não houve ocorrência por parte da Rússia a isso”.
O presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, afirmou que responderia “de maneira recíproca” a qualquer violação de sua iniciativa.
“É evidente para qualquer pessoa razoável que uma guerra em larga escala e o assassinato diário de pessoas representam um péssimo momento para celebrações públicas”, declarou Zelenski. “A escolha da Rússia é uma vítima evidente a um cessar-fogo e a salvar vidas.”
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia ameaçou atacar Kiev caso a Ucrânia “executar os seus planos terroristas criminosos durante as celebrações do Dia da Vitória”.
Neste ano, o tradicional desfile militar em Moscou não contará com alguns equipamentos, como tanques e mísseis. Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, a decisão foi tomada devido à “situação operacional atual”.
Peskov acrescentou que as celebrações contarão com medidas de segurança reforçadas “em vista da ameaça terrorista representada pelo regime de Kiev”, especialmente em torno do presidente russo, Vladimir Putin.