Endividamento das famílias brasileiras atinge recorde de 80,9% em abril, aponta CNC
Proporção de famílias endividadas sobe pelo quarto mês seguido; inadimplência permanece estável, mas atinge 29,7%
O endividamento das famílias brasileiras alcançou um novo recorde em abril, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A proporção de lares com dívidas passou de 80,4% em março para 80,9% em abril. No mesmo mês de 2023, o índice era de 77,6%. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic).
“Os resultados recentes indicam relativa acomodação das condições financeiras das famílias. Embora o endividamento mantenha trajetória de avanço, esse movimento não tem sido acompanhado por deterioração expressiva da inadimplência, que segue relativamente estável, assim como a parcela de famílias sem condições de quitar dívidas em atraso. Além disso, a perspectiva de recuo da inadimplência de longo prazo sugere um perfil de endividamento mais administrável no curto prazo”, destaca o relatório da CNC.
A pesquisa considera como dívidas as contas a vencer nas modalidades cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de carro e casa.
Inadimplência segue estável
A parcela de famílias inadimplentes, ou seja, com dívidas em atraso, subiu levemente de 29,6% em março para 29,7% em abril. Em abril de 2023, essa proporção era de 29,1%.
O percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas dívidas em atraso permaneceu estável em 12,3% em abril, mesmo patamar de março. Um ano antes, o índice era de 12,4%.
Entre os inadimplentes, 49,5% relataram estar com débitos vencidos há mais de 90 dias.
“O tempo médio de atraso estabilizou-se em 65,1 dias pelo terceiro mês seguido, refletindo melhora da renda média que ajuda na regularização financeira”, ressaltou a CNC.
Endividamento cresce em todas as faixas de renda
O aumento do endividamento foi observado em todas as faixas de renda. Entre famílias com renda mensal de até três salários mínimos, a proporção de endividados subiu de 82,9% em março para 83,6% em abril.
Na classe média baixa, com renda entre três e cinco salários mínimos, o índice passou de 82,6% para 82,8%. Entre quem recebe de cinco a dez salários mínimos, houve alta de 79,2% para 80,1%. Já no grupo com renda acima de dez salários mínimos, o percentual avançou de 69,9% para 70,8%.
Detalhamento da inadimplência
Na faixa de até três salários mínimos, a inadimplência ficou estável em 38,2% em abril. Entre famílias com renda de três a cinco salários mínimos, a proporção de inadimplentes caiu de 28,7% para 28,0%. No grupo de cinco a dez salários mínimos, o índice subiu de 22,1% para 22,7%. Já entre quem recebe acima de dez salários mínimos mensais, a inadimplência aumentou de 14,7% para 15%.
Cenário econômico pode manter endividamento elevado
Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, “O aumento das incertezas no cenário econômico global levou a uma recente revisão quanto ao ritmo de flexibilização da política monetária no Brasil. A percepção dominante atualmente é que, até o fim do ano, os juros caiam menos que o esperado anteriormente. Se confirmado esse cenário, os níveis de endividamento tendem a se manter em patamares elevados por mais tempo”, avaliou.