JUSTIÇA

Assédio moral e sexual no trabalho cresce no Brasil e impulsiona ações na Justiça

Advogado Trabalhista, Henrique Messias faz uma análise dos dados que representam esse crescimento no país

Publicado em 07/05/2026 às 10:39

O número de ações relacionadas a assédio moral e sexual no ambiente de trabalho tem crescido significativamente no Brasil, refletindo uma maior conscientização dos trabalhadores e também uma maior busca por reparação judicial. Dados recentes da Justiça do Trabalho mostram aumento tanto nas denúncias quanto nos processos sobre o tema.

Em 2025, foram registradas 12.813 novas ações por assédio sexual, um aumento de 40% em relação ao ano anterior, segundo levantamento divulgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). No mesmo período, os processos envolvendo assédio moral chegaram a 142.828 casos, crescimento de 22% em comparação com o ano anterior.

O advogado trabalhista Henrique Messias analisa esses dados. “Na verdade, o que a gente observa hoje é um crescimento no número de denúncias. Infelizmente, esses tipos de crimes sempre existiram, mas os trabalhadores estão mais conscientes dos seus direitos e por isso, procuram denunciar os assédios cometidos no ambiente de trabalho”, comenta.

Os números reforçam uma tendência observada nos últimos anos. Entre 2020 e 2024, a Justiça do Trabalho recebeu 33.050 processos envolvendo assédio sexual, com crescimento de 35% apenas entre 2023 e 2024, quando os novos casos passaram de 6.367 para 8.612.

Henrique Messias reforça que é preciso entender que as relações mudaram. “Não se pode mais tratar o trabalhador como se tratava há 30 anos. Os gestores precisam mudar a postura. Temos uma geração chegando ao mercado de trabalho muito mais crítica e consciente. Por isso não se deve praticar atos de constrangimento, por exemplo. O que pode levar o empregador a responder um processo judicial”, instrui o advogado.

O advogado explica que a diferença do assédio moral para o sexual está no modo como acontece. “Os famosos apelidos, por exemplo, são um caso de assédio moral, quando acontecem sucessivas vezes causando constrangimento e incômodo ao ponto do funcionário querer levar a situação para a justiça. Já o assédio sexual é quando ocorre algum ato de cunho sexual, e nessa situação, só precisa ocorrer uma única vez, que já é suficiente para uma denúncia”, informa.

Muitos trabalhadores vítimas de assédio moral no ambiente de trabalho acabam por desenvolver problemas ligados à saúde gerando o adoecimento do trabalhador. “Situações de ansiedade e depressão são hoje as maiores causas de afastamento de trabalho e em muitos casos, embora sejam condições multifatoriais, o assédio pode colaborar como um fator de desenvolvimento dessas condições”, comenta Henrique Messias.

Além do aumento das denúncias, o advogado aponta que o crescimento também está relacionado à maior compreensão sobre o que caracteriza o assédio no ambiente profissional.

O aumento das ações não significa necessariamente que o problema tenha surgido agora, mas sim que trabalhadores estão mais informados sobre seus direitos e menos dispostos a tolerar práticas abusivas, o que tem levado mais vítimas a procurar a Justiça.

“Além das consequências jurídicas, casos de assédio também impactam diretamente o clima organizacional e a reputação das empresas. Entre as medidas recomendadas estão a implementação de políticas internas de prevenção ao assédio, treinamentos periódicos e canais seguros para denúncia”, orienta o advogado Henrique Messias.