MUNDO DO TRABALHO

Mães no comando: 5 líderes revelam lições da maternidade que impulsionam negócios de sucesso

Por Ruhama Rocha Publicado em 07/05/2026 às 10:16

São Paulo, maio de 2026- Com o avanço da presença feminina em cargos estratégicos, a maternidade também vem sendo apontada como uma fonte de inspiração e aprendizado para os negócios. Segundo o relatório Women in Business 2024, da Grant Thornton, mostra que as mulheres já ocupam cerca de 33% dos cargos de liderança sênior no mundo, o maior índice já registrado, ainda assim, o desafio de conciliar carreira e vida pessoal segue como um dos principais entraves para a equidade.

No Brasil, esse cenário ganha nuances próprias. Segundo levantamento do IBGE e do LinkedIn, mulheres com filhos ainda enfrentam maior sobrecarga, mas também desenvolvem habilidades como gestão do tempo, inteligência emocional e resiliência, competências cada vez mais valorizadas no mundo corporativo.

Diante desse contexto, cinco líderes à frente de grandes empresas compartilham aprendizados da maternidade que também aplicam na gestão de seus negócios, uma troca que inspira outras mulheres e reforça um novo modelo de liderança mais humano, estratégico e sustentável.

  1. Andrea Kohlrausch, presidente da Calçados Bibi

Organização e rede de apoio são pilares do crescimento. Aprendi a descentralizar tarefas e a otimizar meu tempo. Sem isso, seria impossível conciliar a agenda profissional com a vida familiar”, afirma





Segundo a executiva, um dos maiores desafios de ser líder e mãe é equilibrar os diferentes papéis e responsabilidades, como gestora, empreendedora, mãe, esposa, filha e amiga. Para atender a agenda pessoal e a profissional, a empresária explica que a organização é essencial para contemplar todos os compromissos de forma equilibrada, sem ter o sentimento de culpa e infelicidade. “Para dar conta dos deveres de ser presidente de uma empresa com mais de 1.200 colaboradores e uma rede de franquias com mais de 150 lojas no Brasil e na América Latina, tive que desenvolver uma rede de apoio e, ao longo do tempo, aprendi a descentralizar algumas tarefas. Com dois filhos, foi necessário administrar a agenda deles à distância, devido aos compromissos profissionais e, dessa forma, otimizar meu tempo de forma mais eficiente”, revela.

Outro desafio apontando pela empresária é cuidar da saúde e do bem-estar pessoal. Ao longo dos anos com vários papéis para exercer, Andrea conseguiu reservar o primeiro horário da manhã para si. Ela conta que, muitas vezes, sua saúde foi negligenciada devido aos compromissos diários. “Sempre gostei de esportes, mas vivi fases de sedentarismo. Hoje, acordo às 05h15 para me priorizar e ter uma vida mais ativa e saudável. Enquanto todos dormem, já estou iniciando as atividades físicas para estar bem, desenvolver a agenda profissional e ter um tempo de qualidade com minha família”, finaliza.

2- Ana Medici, CEO e fundadora da LIS Play
Integração entre vida pessoal e profissional. Conciliar maternidade e liderança não é sobre equilibrar tudo igualmente, mas sobre reduzir atritos e tornar a rotina mais fluida;





Para a executiva, conciliar a liderança de uma empresa com a maternidade não é sobre dividir a vida em partes iguais, mas sobre integrar as duas com fluidez. Se no vídeo commerce buscamos eliminar fricções, no dia a dia, o objetivo é reduzir os atritos entre trabalho e vida pessoal, tornando tudo mais natural e conectado. As prioridades mudam, e o mais importante é saber onde estar inteira em cada momento. Estar realmente presente, seja em um compromisso de trabalho ou com os filhos, tem mais valor do que simplesmente estar disponível. Para sustentar isso, contar com um time forte e uma rede de apoio é essencial. Outro ponto-chave é tomar decisões com base em clareza e propósito, não em culpa. A tecnologia também ajuda a ganhar eficiência e liberar energia para o que realmente importa. E, no fim, é fundamental aceitar que não existe perfeição: tanto empreender quanto ser mãe são jornadas de construção contínua. O equilíbrio não é fixo, é criado ao longo do caminho, com uma dinâmica que funcione, respeitando seus valores, seu momento e o impacto que você quer gerar dentro e fora de casa.

3. Bruna Vasconi, sócia-fundadora do Peça Rara Brechó

“Empreender com propósito e adaptabilidade. Construí o negócio junto com a minha família, adaptando a rotina e as decisões conforme cada fase”;






Bruna Vasconi costuma dizer que o empreendedorismo sempre fez parte de sua trajetória, construída em paralelo à maternidade desde muito cedo. Aos 19 anos, durante a faculdade de Psicologia, casou-se e teve o primeiro filho e, logo depois, a segunda filha, o que a levou a diversificar produtos para complementar a renda. Entre lingeries, chocolates, semijoias e itens de beleza vendidos na universidade, começou a estruturar uma lógica de negócio. No último ano da graduação, ao buscar uma alternativa viável e de baixo investimento, encontrou no brechó infantil um modelo aderente à sua realidade. Com um empréstimo de R$ 7 mil da avó, abriu o primeiro brechó com uma amiga, a partir de peças dos próprios filhos e de amigas, iniciativa que evoluiu para o Peça Rara Brechó. O negócio cresceu junto com a família e, hoje, mesmo após a chegada de mais dois filhos, a operação avançou para o franchising e se profissionalizou. Mantém como eixo a curadoria, o consumo consciente e a integração entre gestão e rotina familiar. Há um ano, a empresária deixou o cargo de CEO para um executivo do mercado e assumiu a presidência do conselho do Peça Rara Brechó. Bruna se mantém na liderança de uma rede com mais de 130 lojas no país e faturamento de cerca de R$ 300 milhões em 2025.

4. Claudia Abreu, CEO da Royal Face

“Liderança com propósito e legado. Ser mãe potencializa a liderança. Passamos a entender ainda mais o valor de abrir caminhos e dar exemplo”;





 No Dia das Mães, a trajetória de Claudia Abreu, CEO da Royal Face, traduz o novo perfil da mulher que equilibra liderança e maternidade com propósito. Mãe de dois filhos adolescentes, ela representa uma geração que concilia decisões estratégicas, crescimento profissional e o papel de formar valores dentro de casa. À frente de uma das maiores redes de estética do país, construiu sua carreira liderando projetos complexos e acelerando negócios, experiência que hoje ganha uma dimensão ainda mais humana ao integrar a maternidade ao seu estilo de gestão. Sua atuação em transformação digital, experiência do cliente e expansão reflete uma filosofia clara: resultados são consequência de cultura, preparo e decisões ágeis. No contexto do Dia das Mães, essa visão ganha ainda mais força ao conectar liderança com legado e impacto nas próximas gerações. “Liderar é transformar potencial em resultado com propósito. E ser mãe potencializa isso. A gente passa a entender ainda mais o valor de construir caminhos, abrir portas e dar exemplo. Quando mais mulheres ocupam posições estratégicas, criamos empresas mais fortes e uma sociedade mais preparada para o futuro”, afirma.

5- Luciana Melo, CEO Café Cultura

Presença de qualidade e comunicação transparente. Mais importante que o tempo é a qualidade da presença, tanto no trabalho quanto com a família”;
 





Já a executiva acredita que conciliar a posição de liderança do time do Café Cultura com a maternidade não é sobre equilíbrio perfeito, mas sobre fazer escolhas conscientes ao longo de uma rotina dinâmica. Ao invés de separar rigidamente vida pessoal e profissional, o caminho mais realista é integrar as duas dimensões, entendendo que as prioridades mudam e exigem presença genuína em cada momento. Mais do que quantidade de tempo, o que faz diferença é a qualidade da presença, tanto no trabalho quanto com a família. Para sustentar isso, delegar é essencial, seja no âmbito corporativo ou pessoal, assim como construir uma rede de apoio sólida. Ao mesmo tempo, é importante não deixar que a culpa guie decisões, mas sim valores e propósito. Não podemos esquecer que a comunicação transparente, o autocuidado e a criação de rituais de conexão com a família ajudam a dar consistência à rotina. E, acima de tudo, é fundamental aceitar que não existe perfeição. O verdadeiro papel não é dar conta de tudo, mas ser exemplo e mostrar, na prática, que é possível equilibrar responsabilidade e autenticidade.