Planos de cortes de vagas nos EUA crescem 38% em abril, aponta relatório
Setor de tecnologia lidera demissões, impulsionado por investimentos em inteligência artificial; número de contratações também recua.
Empregadores dos Estados Unidos anunciaram planos para cortar 83.387 vagas em abril , um aumento de 38% em relação a março. Apesar do alto mensal, houve uma queda de 21% na comparação com abril de 2023, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (7) por Challenger, Gray & Christmas. No acumulado do ano, os cortes planejados somam 300.749, representando um recuo de 50% em relação ao mesmo período do ano passado.
O levantamento destaca que abril registrou o terceiro maior volume de cortes para o mês desde 2009, ficando para trás apenas de abril de 2023 e do pico da pandemia, em abril de 2020.
As empresas de tecnologia continuam liderando os anúncios de missões, frequentemente associadas a investimentos em inteligência artificial (IA) . De acordo com Andy Challenger, vice-presidente sênior de consultoria, recursos que antes eram destinados às funções tradicionais estão sendo realocados para IA. Pelo segundo mês consecutivo, a IA foi o principal fator citado para os cortes, respondendo por 26% das vagas eliminadas em abril. No acumulado do ano, a tecnologia representa cerca de 16% de todos os cortes anunciados.
Os planos de contratação também tiveram queda significativa, com recuo de 69% em abril frente a março e de 38% na comparação anual. No acumulado de 2024, o número de contratações anunciadas ficou 13% abaixo do registrado no mesmo período de 2023.
O relatório da Challenger antecede a divulgação da folha de pagamento , principal indicador do mercado de trabalho dos EUA, previsto para esta sexta-feira (8). Ao longo da semana, outros mostraram dados sinais mistos: o relatório Jolts apontou redução na abertura de vagas em março, embora o resultado tenha superado as expectativas do mercado, enquanto a ADP indicou criação de empregos no setor privado marginalmente acima do esperado em abril.