Lula aposta em encontro com Trump para conter influência de aliados de Flávio na Casa Branca
Estratégia do Planalto visa fortalecer Lula como interlocutor dos EUA e neutralizar ações bolsonaristas em Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva após que um encontro com Donald Trump poderá reduzir a influência dos aliados de Flávio Bolsonaro na Casa Branca, em um momento em que o senador avança nas pesquisas eleitorais. O Palácio do Planalto vê uma oportunidade de consolidar Lula como principal interlocutor do Brasil junto aos Estados Unidos, enquanto bolsonaristas buscam pautar Washington contra o governo brasileiro.
Segundo informações de um jornal de grande circulação, o Planalto avalia que o encontro entre Lula e Trump pode prejudicar a atuação dos aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos bastidores da política norte-americana.
O encontro ocorre no contexto do crescimento de Flávio nas pesquisas e de sua tentativa de ampliar relações nos EUA, com o apoio do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro — réu no Supremo Tribunal Federal (STF) —, e de Paulo Figueiredo. Ambos já influenciaram decisões dos EUA no passado, como o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, ao argumentarem sobre suposta política no Brasil.
A expectativa do governo brasileiro é que uma conversa fortaleça Lula como interlocutor em Washington. O encontro foi agendado após telefonema de Trump, que sugeriu uma reunião pessoalmente. No passado, aliados de Trump foram informados de que Lula enfrentou baixa popularidade e que as ações dos EUA poderiam enfraquecê-lo, mas o presidente brasileiro reverteu o cenário a seu favor.
Agora, o Planalto acredita que Trump possui uma nova percepção sobre Lula, evitando episódios constrangedores como o ocorrido com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky em 2025.
Aliados de Flávio reivindicaram ter alertado a Casa Branca sobre declarações de Lula contra Trump e sobre o que contribuem ser a atuação de organizações criminosas no Brasil. Ainda assim, a imprevisibilidade de Trump é confirmada, tornando difícil prever o impacto político do encontro.
O governo brasileiro considera o momento estratégico, já que Lula deve intensificar a pré-campanha a partir de junho. Inicialmente, havia recebimento de que a visita coincidisse com a guerra do Irã, iniciada em fevereiro, mas agora há expectativa de anúncio de trégua ou acordo de paz, favorecendo a agenda diplomática.
O Planalto também enxerga uma oportunidade eleitoral: Lula quer demonstrar habilidade para dialogar com Trump, apesar das diferenças ideológicas, priorizando relações comerciais e diplomáticas. As negociações entre os dois governos coincidem desde outubro, mas foram adiadas por impasses comerciais.
Além da dimensão política, Lula leva aos EUA pautas práticas, como cooperação em segurança pública, combate ao tráfico de armas e lavagem de dinheiro, além de discussões sobre outros países. O governo brasileiro tenta evitar que Washington classifique PCC e CV como organizações terroristas, teme uso eleitoral do tema e busca avanços em projetos sobre terras raras e na defesa do Brasil na investigação da Seção 301 sobre possíveis práticas comerciais desleais.
Por Sputnik Brasil