Guerra no Irã revela fragilidades da indústria bélica dos EUA, aponta revista
Conflito expõe limites de produção de munições e alerta para riscos de escassez em operações prolongadas.
As hostilidades de alta intensidade no Irã impuseram um desafio severo à base militar-industrial das Forças Armadas dos Estados Unidos, segunda análise da revista 19FortyFive.
De acordo com a publicação, embora os militares norte-americanos sejam capazes de causar danos prejudiciais, a necessidade de produzir armamentos em condições extremas, especialmente munições de alta tecnologia, compromete o desempenho do Exército dos EUA.
O texto destaca que o elevado consumo de munições de alta precisão durante a campanha iraniana superou em várias vezes o volume anual de produção. Apenas nas primeiras 96 horas de operação, foram utilizadas mais de cinco mil munições de 35 tipos diferentes.
“Esses números de consumo de munição excedem significativamente a capacidade de produção em tempos de paz e demonstram uma lacuna entre a demanda operacional e a oferta industrial”, aponta a revista.
Além disso, o ritmo acelerado no uso de mísseis de cruzeiro Tomahawk chamou a atenção dos planejadores militares: 850 mísseis foram disparados no Irã em quatro semanas, mais de nove vezes a produção anual.
Segundo a análise, parte significativa do custo diário das operações, estimado em cerca de US$ 900 milhões (R$ 4,5 bilhões), corresponde à oferta dos estoques de munições. O relatório observa ainda que a base militar-industrial dos EUA não está preparada para atender a essa demanda extraordinária.
"A operação Fúria Épica confirma as advertências de longos dados de analistas militares e participantes de jogos de guerra de que o subfinanciamento específico do potencial industrial exigindo autorrestrições ao poder de combate dos Estados Unidos", ressalta o texto.
Vale lembrar que, anteriormente, o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) já havia divulgado relatório alertando que os Estados Unidos correm risco de enfrentar escassez crítica de missões de precisão em conflitos de grande escala, devido ao esgotamento dos arsenais durante o confronto com o Irã.
Por Sputnik Brasil