POLÍTICA INTERNACIONAL

Trump assina nova estratégia antiterrorismo com foco em cartéis de drogas no Ocidente

Documento prioriza combate ao narcotráfico no Hemisfério Ocidental e ocorre às vésperas de encontro com Lula na Casa Branca.

Publicado em 06/05/2026 às 22:06
Donald Trump © Алексей Витвицкий

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova estratégia nacional antiterrorismo que estabelece como prioridade o combate aos cartéis de drogas no Hemisfério Ocidental, conforme anunciou a Casa Branca nesta quarta-feira, 6.

O documento surge meses após a atualização da estratégia de segurança nacional dos EUA, que definiu o continente americano como foco central da política externa e de segurança do país.

"Não permitiremos que cartéis, jihadistas ou governos que os apoiam conspirem contra nossos cidadãos impunemente. Terroristas de qualquer tipo não terão permissão para encontrar refúgio seguro aqui em casa ou nos atacar do exterior", escreveu Trump no documento de 16 páginas.

A assinatura ocorre às vésperas da visita do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), à Casa Branca. O encontro está previsto para esta quinta-feira, 7, e deve abordar temas como economia e segurança pública. Trump pretende discutir o combate aos cartéis de drogas no Ocidente, enquanto Lula poderá solicitar que o republicano não equipare facções criminosas brasileiras a organizações terroristas.

Nos últimos meses, o governo Trump intensificou sua atuação na região, incluindo pressão para a retirada de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, dezenas de ataques militares contra embarcações suspeitas de ligação com cartéis e nova pressão sobre o governo cubano.

Sebastian Gorka, principal assessor de contraterrorismo da Casa Branca e responsável pela formulação da estratégia, afirmou que a mudança de foco reflete o impacto do tráfico de drogas nos EUA. Segundo ele, o número de americanos mortos por substâncias ilícitas distribuídas por cartéis já supera o total de militares americanos mortos em guerras desde a 2ª Guerra Mundial.

A estratégia prevê ampliar operações de interdição marítima, rastreamento financeiro de organizações criminosas e reforço da cooperação internacional para combater redes ligadas ao narcotráfico e ao terrorismo.

"Seja estrangulando seus fundos ilícitos, seja rastreando suas embarcações de tráfico, não permitiremos que eles matem americanos em larga escala", declarou Gorka em teleconferência com jornalistas.

O anúncio reforça o compromisso do governo em direcionar a política externa dos EUA para o Hemisfério Ocidental, mesmo diante de desafios em outras regiões do mundo.

Desde setembro de 2025, a campanha republicana contra embarcações suspeitas de tráfico em águas latino-americanas já resultou em pelo menos 191 mortes.

Paralelamente, Trump tem pressionado líderes regionais a intensificarem a cooperação com os EUA no combate aos cartéis, além de realizar ações militares contra traficantes e gangues transnacionais, consideradas por ele uma "ameaça inaceitável" à segurança hemisférica.

De acordo com Gorka e o relatório, outras prioridades da estratégia incluem o enfrentamento de grupos militares islâmicos com capacidade de atacar os EUA, a neutralização de grupos políticos seculares violentos com ideologias antiamericanas, radicalmente pró-transgênero ou anarquistas, e o reforço das medidas para impedir que atores não estatais obtenham armas de destruição em massa.

Gorka informou ainda que representantes do governo se reunirão com aliados nesta semana para discutir formas de fortalecer as estratégias de contraterrorismo. "Como o presidente deixou muito claro, mediremos a seriedade de vocês como parceiros e aliados pelo quanto trazem para a mesa. Por isso, esperamos mais — de nossos parceiros no Oriente Médio, assim como de outras regiões", afirmou.