SAÚDE INTERNACIONAL

Cepa do hantavírus registrada em cruzeiro é do tipo transmissível entre humanos, diz OMS

Autoridades confirmam que o subtipo Andes, raro e com potencial de transmissão entre pessoas, foi identificado em passageiros de cruzeiro internacional.

Publicado em 06/05/2026 às 20:51
Profissionais de saúde com equipamentos de proteção chegam para evacuar pacientes do navio de cruzeiro MV Hondius em um porto em Praia, Cabo Verde, na quarta-feira, 6 de maio de 2026. Foto AP/Misper Apawu.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o governo da África do Sul confirmaram nesta quarta-feira (6) que a cepa do hantavírus encontrada em passageiros de um cruzeiro infectados a bordo é do subtipo Andes, o único conhecido por permitir a transmissão entre humanos. Até a última segunda-feira (4), a OMS registrava sete casos suspeitos da infecção, com três mortes.

Normalmente, o hantavírus é transmitido pelo contato com partículas suspensas (aerossóis) provenientes de fezes, urina ou saliva de roedores. No entanto, a cepa Andes, com registros principalmente na Argentina e no Chile, apresenta casos de transmissão direta entre pessoas.

Na manhã desta quarta-feira, autoridades de saúde da África do Sul informaram ter identificado a cepa Andes do hantavírus em dois passageiros do navio que desembarcaram no país africano. Autoridades suíças também confirmaram a presença do mesmo vírus em um paciente internado na Suíça.

Segundo o Departamento de Saúde da África do Sul, os resultados foram obtidos após testes realizados nos passageiros assim que foram retirados do navio e transportados de avião para o país.

Um dos casos é de um homem britânico, atualmente internado em uma UTI na África do Sul. Os testes na outra passageira, que faleceu no país, foram realizados postumamente.

A confirmação da cepa Andes entre os passageiros infectados foi posteriormente ratificada pela OMS.

Embora a cepa Andes do hantavírus possa ser transmitida entre pessoas, especialistas ressaltam que isso é raro. A disseminação geralmente é limitada, pois a transmissão ocorre apenas em situações de contato próximo, como o compartilhamento de cama ou alimentos.

A OMS avalia que o risco desse surto para a população global é baixo. “Esta não é a próxima covid, mas é uma doença infecciosa grave”, afirmou Maria Van Kerkhove, principal especialista em epidemias da OMS, em entrevista à agência de notícias AP.

O surto ocorreu no cruzeiro MV Hondius, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, na África. As cepas registradas nas Américas, como a andina, costumam causar sintomas iniciais como febre, dor de cabeça e dores no corpo, podendo evoluir para uma síndrome respiratória grave, com dor no peito e falta de ar.

Nesta quarta-feira, o navio, que estava próximo ao porto de Praia, capital de Cabo Verde, recebeu autorização para seguir viagem rumo às Ilhas Canárias, na Espanha, onde os passageiros deverão desembarcar. (Com informações da AP)