Bolívia e Brasil articulam ofensiva conjunta contra crime organizado na fronteira
Países reforçam parceria para combater narcotráfico, tráfico de armas e lavagem de dinheiro na região fronteiriça.
Autoridades da Bolívia e do Brasil se reuniram nesta quarta-feira (6), em Santa Cruz de la Sierra, para fortalecer a cooperação bilateral no combate ao narcotráfico e ao crime organizado na extensa fronteira compartilhada. A Bolívia figura entre os maiores produtores mundiais de cocaína, enquanto o Brasil é uma das principais rotas de escoamento da droga.
O encontro ocorreu durante a 13ª Comissão Mista sobre Drogas e Temas Conexos, reunindo autoridades de segurança, representantes diplomáticos e equipes técnicas dos dois países. O objetivo é enfrentar o avanço das redes criminosas que atuam nos mais de 3 mil quilômetros de fronteira, considerada uma das principais rotas do tráfico ilícito na América do Sul.
A agenda bilateral foi estruturada em cinco eixos estratégicos: redução da oferta de drogas e desarticulação de organizações criminosas; controle de substâncias químicas; regulamentação do cultivo de coca e desenvolvimento alternativo; redução da demanda por drogas; e combate à lavagem de dinheiro com cooperação jurídica internacional.
O ministro de Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, destacou que a comissão dá continuidade aos entendimentos firmados entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira.
Segundo Oviedo, o fortalecimento dos mecanismos de controle e segurança na fronteira é urgente diante do avanço do crime organizado na região.
Pela delegação brasileira, o diretor de Cooperação Internacional da Polícia Federal, Felipe Tavares Seixas, afirmou esperar que a reunião resulte em compromissos concretos entre os dois países. O Brasil enviou mais de vinte representantes ao encontro, entre integrantes das áreas diplomática e policial.
Parceria entre Brasil e Estados Unidos
Em meio à crescente pressão dos Estados Unidos sobre organizações criminosas ligadas ao tráfico na América do Sul, o Ministério da Fazenda anunciou em abril um acordo de cooperação com Washington para o combate ao tráfico de armas e drogas. A parceria será realizada por meio da Receita Federal brasileira e do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês).
O projeto, denominado Equipe de Interdição Mútua (Mutual Interdiction Team, MTI), tem como objetivo interceptar remessas de armas e drogas entre os dois países. Segundo a Fazenda, essa iniciativa integra a agenda cooperativa entre os presidentes Lula e Donald Trump para o enfrentamento ao crime organizado transnacional.
Um dos destaques do projeto é o programa Desarma, novo sistema da Receita Federal especializado na identificação de armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros materiais sensíveis de origem norte-americana.
De acordo com o ministério, o Desarma permite registrar e organizar dados sobre apreensões, incluindo material, origem declarada, informações logísticas e outros dados que auxiliem na identificação dos produtos.