Megatsunami no Alasca em 2023 foi o segundo maior já registrado, superando o Empire State
Onda de 481 metros, causada por deslizamento de terra, impressionou cientistas e reforça alerta sobre riscos ligados às mudanças climáticas.
Um estudo publicado na revista científica Science nesta quarta-feira, 6, revelou que o megatsunami ocorrido no fiorde de Tracy Arm, no sudeste do Alasca (EUA), em agosto de 2023, foi o segundo maior já registrado na história. A onda atingiu impressionantes 481 metros de altura, superando o Empire State Building, em Nova York, que possui 443 metros contando suas antenas.
Pesquisadores chegaram a essa estimativa utilizando dados de satélites, sismógrafos, modelagem numérica e relatos de testemunhas. Com essas informações, foi possível reconstruir o evento e compreender sua magnitude.
"A onda arrancou árvores e plantas ao longo das paredes do fiorde, deixando uma parede rochosa íngreme. Isso permitiu aos pesquisadores inferir que a onda atingiu 481 metros de altura (mais alta que o Empire State Building) no primeiro quilômetro, antes de se dissipar ao longo do fiorde", detalhou nota da University College London (UCL), que participou do estudo.
Até então, o maior tsunami já registrado havia ocorrido em 1958, também no Alasca, na Baía de Lituya, quando a onda alcançou 520 metros de altura.
De acordo com os cientistas, tanto o deslizamento de terra quanto o tsunami foram detectados por sismógrafos ao redor do mundo. O volume de rochas que desabou no fiorde foi equivalente a 24 Grandes Pirâmides de Gizé, e as vibrações provocadas pelo impacto da água duraram cerca de 36 horas.
Apesar da força do fenômeno, ninguém ficou ferido e nenhum navio de cruzeiro foi atingido. Testemunhas relataram uma onda de dois metros chegando à praia e um grupo de caiaquistas acampados mais abaixo no fiorde relatou que a água invadiu suas barracas, levando caiaques e equipamentos.
Os especialistas atribuem o deslizamento que originou a onda às mudanças climáticas, destacando o recuo acelerado da geleira que sustentava a montanha. Segundo o estudo, a geleira recuou 500 metros em poucas semanas, deixando a rocha instável.
Dan Shugar, da Universidade de Calgary, principal autor do estudo, explicou: "Normalmente, nessas gigantescas avalanches de rochas, costuma-se ter algum tipo de sinal de alerta nas semanas, meses ou anos anteriores, quando a encosta está se movendo lentamente montanha abaixo. Ela cede e então, catastroficamente, desaba em uma avalanche de rochas. Mas, neste caso, isso não aconteceu".
Stephen Hicks, coautor da pesquisa pela UCL, alertou que a região do fiorde Tracy Arm é frequentada por cruzeiros e navios. "Precisamos reduzir o risco dessas expedições, identificando melhor as áreas de maior risco e investindo em sistemas de alerta que possam nos dar algumas horas ou dias de aviso prévio de um evento potencialmente catastrófico", afirmou.
Hicks explicou ainda que pequenos terremotos foram registrados com frequência crescente nos dias e horas anteriores ao deslizamento, indicando que a massa de rocha começava a rachar. "Muitas estações de monitoramento sísmico fornecem dados em tempo real, o que nos dá algum otimismo de que podemos transformar o que aprendemos em um sistema de alerta", concluiu.