MERCADO FINANCEIRO

Taxas de juros recuam com queda do petróleo e expectativa de fim da guerra

Declarações positivas sobre conflito no Oriente Médio derrubam preços do petróleo e aliviam curva de juros no Brasil.

Publicado em 06/05/2026 às 18:14
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Em um dia marcado por oscilações no mercado de renda fixa, as taxas de juros futuras registraram queda significativa nesta quarta-feira, 6, impulsionadas pela forte baixa do petróleo e pelo otimismo em relação ao possível fim do conflito no Oriente Médio.

Novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando conversas produtivas com o Irã e o compromisso do país persa em não desenvolver armas nucleares, somaram-se a manifestações positivas feitas mais cedo. Trump afirmou que, caso Teerã concorde, o confronto na região pode ser encerrado e o Estreito de Ormuz reaberto, reacendendo a esperança de desfecho para a crise. O barril do Brent para julho fechou em US$ 101,27, queda de quase 8%.

Assim como no pregão anterior, as taxas intermediárias foram as que mais recuaram, refletindo sensibilidade à oscilação do petróleo e devolvendo mais de 20 pontos-base em relação aos ajustes. Apesar do ambiente ainda volátil, instituições como a Santander Asset mantêm perspectiva positiva para a curva de juros nominal em maio, citando prêmios atrativos e uma quantidade limitada de cortes da Selic já precificada pelo mercado.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,148% para 14,055%. O DI para janeiro de 2029 encerrou em 13,52%, ante 13,743% do ajuste anterior, enquanto o DI para janeiro de 2031 recuou de 13,799% para 13,605%.

João Freitas, estrategista de investimentos do Santander, destacou que o mercado iniciou o dia com uma pauta definida, proporcionando alívio aos ativos domésticos e globais. “Temos visto um grande ‘esquenta, esfria’, e hoje foi um dia de ‘esfria’, com redução das incertezas à frente”, explicou. “Após um período de maior estresse, as notícias trouxeram calma e houve devolução dos prêmios”, afirmou à Broadcast.

Freitas ressalta, porém, que os acontecimentos do dia não garantem menor volatilidade à frente, pois o cenário externo segue determinante enquanto a guerra entra no terceiro mês. “Existe a possibilidade de continuarmos nesse ‘esquenta, esfria’ por mais tempo. Hoje o mercado mostrou mais confiança e disposição ao risco, mas ainda há incerteza quanto à Selic terminal e ao ritmo dos cortes”, observou.

No mercado de opções digitais do Copom, a chance de manutenção da Selic em 14,50% na reunião de junho ficou em 23% nesta quarta, abaixo dos 40% registrados na segunda-feira, quando se temia um conflito mais prolongado entre EUA e Irã. Já a probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual subiu de 54% para 66% no mesmo período.

Segundo a equipe de gestão e estratégia da Santander Asset, que divulgou sua Carta Mensal de maio, mesmo diante de desafios no cenário global e doméstico, a visão para o mercado de juros local segue positiva, com preferência por ativos prefixados. O time de economia, liderado por Eduardo Jarra, projeta corte de 0,25 ponto na próxima reunião e Selic em 13,25% ao final de 2026.

A instituição avalia que os principais vetores de alta da inflação tendem a normalizar gradualmente, assim como o equilíbrio entre oferta e demanda, enquanto a taxa de câmbio mantém valorização frente a outras moedas, apesar das turbulências.

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