Fitch eleva rating da Argentina para 'B-', com perspectiva estável
Agência destaca avanços fiscais e externos, mas alerta para vulnerabilidade a choques de confiança
A agência Fitch Ratings elevou a classificação de risco da Argentina em moeda estrangeira e local de longo prazo de 'CCC+' para 'B-'. O relatório, divulgado nesta terça-feira, aponta perspectiva estável para o país.
De acordo com a Fitch, a elevação do rating reflete melhorias estruturais nos balanços fiscais e externos, avanços em reformas econômicas, melhores expectativas para a acumulação de reservas cambiais e a confiança de que o governo argentino conseguirá financiamento suficiente para cumprir suas obrigações de dívida.
Apesar dos avanços, a agência ressalta que a classificação ainda é limitada por uma liquidez considerada fraca para enfrentar eventuais choques de confiança, cenário ao qual a Argentina tem sido especialmente vulnerável.
A Fitch destaca que a posição externa do país melhorou de forma estrutural, especialmente após a Argentina se tornar exportadora líquida de energia, o que reforça sua resiliência diante das oscilações nos preços globais desse setor.
Após as eleições, o governo argentino passou a priorizar a acumulação de reservas internacionais, com meta de adquirir entre US$ 10 bilhões e US$ 17 bilhões em câmbio ao longo deste ano. Essa estratégia foi fundamental para garantir o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) durante a segunda revisão do programa de Facilidade de Fundo Ampliado, segundo o relatório.
Mesmo assim, a Fitch observa que as reservas internacionais líquidas permanecem baixas quando considerados passivos cambiais de curto prazo, como repos, exigências de reservas e linhas de swap cambial. A expectativa, contudo, é que essas reservas aumentem em US$ 8 bilhões em 2024, conforme a nova meta estabelecida pelo FMI.
A agência também faz um alerta para o cenário político: as eleições presidenciais e legislativas marcadas para outubro de 2027 podem aumentar a sensibilidade dos mercados financeiros, como ocorreu nas eleições de meio de mandato do ano passado. “A Argentina segue vulnerável a choques de confiança, sobretudo se a corrida eleitoral indicar mudanças significativas nas políticas atuais”, afirma o relatório.
Após o anúncio da elevação do rating, os títulos da dívida argentina emitidos em dólares registraram alta nesta quarta-feira, atingindo o maior patamar desde 2019, segundo informações da Bloomberg.