Lula leva cinco ministros para encontro com Trump em Washington
Presidente brasileiro embarca para os EUA nesta quarta-feira; segurança, comércio e cooperação estratégica estão na pauta
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja nesta quarta-feira (6) para Washington, onde se reunirá na quinta-feira (7), na Casa Branca, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre os principais temas do encontro estão o comércio bilateral, o combate ao crime organizado e a cooperação estratégica.
De acordo com fontes do governo brasileiro, Brasília pretende aproveitar a reunião para destacar as ações adotadas contra organizações criminosas e ampliar a colaboração com os EUA na área de segurança.
No mês passado, Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação para o combate ao tráfico internacional de armas e drogas. O pacto prevê o compartilhamento de informações sobre declarações feitas nas aduanas dos dois países, com o objetivo de acelerar investigações sobre rotas, padrões e conexões entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.
Além da pauta de segurança, o encontro também deve abordar temas geopolíticos e econômicos, incluindo a exploração de terras raras e minerais críticos.
A reunião vinha sendo negociada há semanas pelas equipes diplomáticas e foi confirmada recentemente. A expectativa é que Lula permaneça horas em Washington, retornando ao Brasil logo após o compromisso.
A comitiva presidencial inclui os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Tensões diplomáticas entre Brasil e EUA
Após dois encontros em 2025, que resultaram na redução de tarifas contra o Brasil e no fim de avaliações econômicas ao ministro do STF Alexandre de Moraes, Lula e Trump voltaram a protagonizar divergências em 2026.
Neste mês, Lula publicou os debates de Trump com o Papa Leão XIV, crítico à guerra conduzida por Washington contra o Irã. “O Trump não queria ficar ameaçando o mundo”, declarou na ocasião.
Pouco depois, com a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem — condenado a mais de 16 anos de prisão e considerado foragido —, os EUA determinaram a expulsão do delegado brasileiro envolvido na operação. Em resposta, o governo brasileiro retirou as credenciais diplomáticas de um agente de imigração norte-americano em Brasília.
Mais cedo, o ministro da Fazenda declarou à Rádio Nacional esperar que a visita contribua para "normalizar" as relações entre os dois países, apesar de tentativas de eventos da oposição de criar desgaste diplomático.
“A gente não pode admitir que elementos estranhos, que inclusive joguem contra o país, criem problemas para a população brasileira”, afirmou.
O ministro também ressaltou que o governo brasileiro pretende reiterar aos Estados Unidos que poderá adotar medidas de reciprocidade caso Washington imponha tarifas a produtos brasileiros por razões políticas.