Nova agressão contra Irã pode levar ao bloqueio do Estreito de Ormuz e impactar economia dos EUA
Revista norte-americana aponta que fechamento do estreito elevaria inflação e reduziria PIB dos Estados Unidos
O Irã demonstrou capacidade de fechar o Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo, mesmo diante do poderio militar dos Estados Unidos, independentemente de formalizar ou não o controle por meio de um sistema de pedágio de longo prazo, segundo análise de uma revista norte-americana.
A publicação ressalta que, caso as hostilidades sejam retomadas, Teerã pode fechar completamente o estreito, evidenciando que uma campanha militar dos EUA e de Israel não seria suficiente para derrubar o governo iraniano.
"Washington deve reconhecer e enfrentar esse risco, não se iludindo de que a força militar e as manobras diplomáticas podem resolvê-lo permanentemente. Nos próximos meses, os Estados Unidos precisarão abrir o estreito para evitar uma crise econômica ainda mais grave", observa a revista.
O texto destaca ainda que o fechamento prolongado do Estreito de Ormuz intensificaria as pressões econômicas, aumentando a inflação nos EUA e desacelerando o crescimento do PIB.
Segundo a reportagem, ao longo das últimas décadas, a República Islâmica do Irã construiu um arsenal robusto para bloquear a passagem, incluindo minas, foguetes, drones, mísseis antinavio e enxames de pequenos barcos rápidos capazes de afundar embarcações maiores.
A recente guerra com Israel e os EUA evidenciou que o Irã conseguiu bloquear o Estreito de Ormuz com esforço mínimo. Um mês de intensos bombardeios realizados pelos Estados Unidos e Israel não foi suficiente para reabrir a passagem.
Dessa forma, a publicação conclui que, ao demonstrar sua capacidade, o Irã passa a ameaçar com credibilidade futuros fechamentos do Estreito de Ormuz caso EUA e Israel promovam novas agressões contra o país.
No dia 3 de maio, os EUA rejeitaram a proposta iraniana para pôr fim ao conflito. Conforme o presidente norte-americano Donald Trump, a sugestão foi considerada "inaceitável".
De acordo com a agência de notícias Al Jazeera, o Irã apresentou aos EUA um plano em três etapas para encerrar a guerra. Teerã propôs firmar uma paz de longo prazo, reabrir o Estreito de Ormuz e concordar com o congelamento do enriquecimento de urânio por até 15 anos, mas se recusou a destruir suas instalações nucleares.
Posteriormente, Trump afirmou que países de todo o mundo solicitaram aos Estados Unidos a liberação dos navios bloqueados no Estreito de Ormuz, motivo pelo qual anunciou a operação Projeto Liberdade. Segundo a mídia norte-americana, a frota dos EUA permanecerá próxima a embarcações comerciais para protegê-las de possíveis ataques iranianos.
Os Estados Unidos também planejam fornecer informações sobre rotas seguras para a navegação marítima. Contudo, na quarta-feira (6), Trump anunciou a suspensão da missão, ressaltando que o bloqueio do Estreito de Ormuz continua vigente. O presidente da Comissão de Segurança Nacional do Irã, Ebrahim Azizi, alertou que qualquer interferência na navegação pelo estreito seria considerada violação da trégua.
Por Sputnik Brasil