EUA lançam míssil Typhon nas Filipinas e exibem alcance capaz de atingir a China
Teste do sistema Typhon amplia capacidade militar dos EUA no Indo-Pacífico e provoca forte reação de Pequim
Os Estados Unidos dispararam, pela primeira vez, um míssil Tomahawk do sistema Typhon nas Filipinas, ampliando sua capacidade de atingir alvos dentro do território chinês a partir do arquipélago. O teste, realizado durante exercícios militares conjuntos, reforça a estratégia norte-americana no Indo-Pacífico e gerou forte reação de Pequim.
O disparo do míssil Tomahawk pelo sistema Typhon, ocorrido na terça-feira (5), marcou a primeira utilização desse armamento desde que os Estados Unidos levaram a plataforma às Filipinas, há dois anos. O gesto é visto por Pequim como uma escalada direta da capacidade norte-americana de atingir alvos em território chinês.
O sistema, transportado por mais de 12 mil quilômetros até Luzon, foi incorporado aos exercícios Salaknib e Balikatan, que ampliam a interoperabilidade entre Estados Unidos e Filipinas em meio às tensões no mar do Sul da China, segundo a mídia norte-americana.
Desenvolvido pela Lockheed Martin, o Typhon é hoje uma das peças centrais da estratégia dos Estados Unidos no Indo-Pacífico. O sistema permite o lançamento de mísseis SM-6 e Tomahawk a partir de plataformas terrestres, com alcance entre 500 e 2 mil quilômetros — distância suficiente para atingir bases chinesas a partir do arquipélago filipino. Para o comando do Exército no Pacífico, trata-se de uma capacidade de dissuasão "altamente demandada" por aliados.
A China reagiu com firmeza ao disparo, acusando Washington de desestabilizar a região e pressionando Manila a retirar o sistema. A disputa territorial entre China e Filipinas no mar do Sul da China amplia o impacto político e militar da presença do Typhon, que reforça a capacidade filipina de negar área e apoiar operações norte-americanas.
O investimento dos Estados Unidos em mísseis de médio alcance preenche uma lacuna aberta após o cancelamento de atualizações do sistema tático anterior. O objetivo é garantir meios para afundar navios e atingir alvos estratégicos dentro do raio de ação chinês, sem depender apenas de vetores de longo alcance.
Desde a chegada do primeiro Typhon às Filipinas, o Exército norte-americano acelerou sua expansão: testou o sistema na Austrália, disparando um SM-6 pela primeira vez, e o enviou ao Japão meses depois, consolidando um arco de posições capaz de pressionar a China por múltiplos vetores.
Segundo apuração, planos de levar o Typhon à Europa em 2026 foram colocados em dúvida após Donald Trump ordenar a retirada de tropas da Alemanha e sinalizar possível revisão dos compromissos militares no continente. A mudança reforça ainda mais o foco estratégico dos EUA no Indo-Pacífico e na contenção da China.
Por Sputnik Brasil