DIREITOS HUMANOS

ONU pede libertação imediata de Thiago Ávila e ativista espanhol detidos em Israel

Entidade cobra investigação sobre denúncias de maus-tratos e critica uso de leis antiterrorismo contra ativistas presos após interceptação de flotilha rumo à Gaza.

Publicado em 06/05/2026 às 10:28
ANSA

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quarta-feira, 6, que Israel promova a libertação imediata e incondicional do brasileiro Thiago Ávila e do espanhol-palestino Saif Abu Keshek, detidos após a interceptação de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza. A entidade também solicitou investigação sobre denúncias de maus-tratos durante a detenção dos ativistas.

Os dois permanecem presos em Ashkelon desde a última quinta-feira, quando a embarcação foi abordada por forças israelenses próximo à costa da ilha grega de Creta. De acordo com o escritório de direitos humanos da ONU, a detenção ocorreu em águas internacionais e sem apresentação de acusações formais.

Em nota, o porta-voz do órgão, Thameen Al-Kheetan, destacou que Israel deve garantir a libertação dos ativistas e ressaltou: "não é crime demonstrar solidariedade e tentar levar ajuda humanitária" à população de Gaza.

A flotilha, composta por embarcações que partiram da França, Espanha e Itália, tinha como objetivo romper o bloqueio imposto por Israel e entregar suprimentos ao território palestino.

Advogados dos ativistas relatam que ambos sofreram maus-tratos durante a detenção e iniciaram greve de fome. A ONU classificou os relatos como "perturbadores" e defendeu a abertura de uma investigação, enfatizando que os responsáveis devem ser responsabilizados. O órgão também criticou o uso de detenções consideradas arbitrárias e a aplicação de leis antiterrorismo, que, segundo a entidade, não estariam em conformidade com o direito internacional.

A Justiça israelense já havia autorizado uma primeira prorrogação da prisão e, em nova decisão, estendeu a detenção até o próximo domingo. Os dois ativistas compareceram a uma audiência em Ashkelon, a cerca de 60 quilômetros de Tel Aviv, sob custódia e algemados.

A defesa, representada pela organização israelense de direitos humanos Adalah, criticou a decisão judicial e afirmou que os ativistas estão submetidos a "tortura psicológica" durante o período de detenção. Israel acusa ambos de manter vínculos com o Hamas, o que é negado pelas defesas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o caso. Em publicação nas redes sociais, afirmou que "manter a prisão do cidadão brasileiro Thiago Ávila é uma ação injustificável do governo de Israel" e que a situação "causa grande preocupação e deve ser condenada por todos".

Segundo Lula, a detenção em águas internacionais representa "uma séria afronta ao direito internacional". O governo brasileiro, em conjunto com a Espanha, defende que os ativistas sejam libertados e tenham sua segurança garantida.

Fonte: Associated Press