EUA perdem direção no conflito com Irã após cancelar Projeto Liberdade, avalia analista
Decisão abrupta de Trump de encerrar operação evidencia falta de estratégia dos EUA diante do impasse no estreito de Ormuz, aponta especialista militar.
O início e o encerramento súbitos da operação norte-americana Projeto Liberdade, anunciados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, evidenciam que Washington perdeu o rumo no conflito com o Irã, avaliou Daniel Davis, tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA, em publicação na rede social X.
Davis destacou que, em menos de 48 horas, Trump encerrou o Projeto Liberdade, declarando-o um sucesso, apesar de não haver resultados concretos.
"Ao manter o bloqueio em vigor, [Trump] garante que não haverá negociações com a outra parte. As declarações iranianas refutam categoricamente a ideia de que existam negociações com o Irã", ressaltou o analista.
Segundo Davis, esse desdobramento deixa os Estados Unidos em posição vulnerável, resultando em grandes prejuízos ao país.
O especialista acrescentou que o episódio reforça a percepção de que a administração Trump está desorientada, buscando soluções sem clareza de objetivos.
Davis conclui que os EUA permanecem em situação perigosa, pois, a cada dia em que o estreito de Ormuz segue bloqueado, os danos à economia norte-americana se intensificam.
No domingo (3), Trump afirmou que países de todo o mundo solicitaram aos EUA que liberassem navios bloqueados no estreito de Ormuz, motivo pelo qual anunciou a operação Projeto Liberdade. Segundo a mídia americana, a frota dos EUA permaneceria próxima a embarcações comerciais para protegê-las de possíveis ataques iranianos.
Os Estados Unidos também planejavam fornecer aos marítimos informações sobre rotas seguras. Contudo, na quarta-feira (6), Trump anunciou a suspensão da missão, ressaltando que o bloqueio do estreito de Ormuz continua em vigor. O presidente da Comissão de Segurança Nacional do Irã, Ebrahim Azizi, alertou que qualquer interferência na navegação pelo estreito seria considerada uma violação da trégua.
Por Sputnik Brasil