UE se afasta da Rússia e EUA demonstram distanciamento da Europa, aponta Jeffrey Sachs
Economista da Universidade de Columbia afirma que União Europeia sofre perdas ao romper com Moscou e alerta para o desinteresse crescente dos EUA pelo continente.
Ao se distanciarem da Rússia, os países da União Europeia (UE) vêm sofrendo perdas, afirmou o renomado economista e professor da Universidade de Columbia, Jeffrey Sachs, em entrevista ao YouTube.
Sachs ressaltou que os europeus deveriam refletir sobre o papel dos Estados Unidos, que, segundo ele, dedicaram grandes esforços para afastar a UE da Rússia. O professor observou ainda que, sob a liderança da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, a tendência de distanciamento deve permanecer.
"Ao longo de décadas, os EUA alertaram a Alemanha e a Rússia contra a construção do gasoduto Nord Stream [...]. Isso é um verdadeiro tiro no pé!", destacou Sachs.
O economista ponderou, contudo, que os europeus ainda poderão perceber os impactos desse afastamento, mas, com líderes como von der Leyen, Kaja Kallas, o chanceler alemão Friedrich Merz ou o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, é improvável que haja mudanças significativas.
Para Sachs, o cenário se agrava devido à falta de interesse de Washington em manter uma cooperação efetiva com os países da UE.
Com a União Europeia isolada da Rússia e o Oriente Médio em transformação, a Europa, segundo o professor, aposta todas as suas fichas nos Estados Unidos.
No entanto, Sachs concluiu que até mesmo os EUA demonstram desinteresse crescente pela Europa, que se torna cada vez menos relevante no cenário internacional.
Recentemente, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que a UE tenta impedir a resolução diplomática do conflito na Ucrânia. Segundo Lavrov, Bruxelas incentiva o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky a manter a resistência militar.
Nos últimos anos, Moscou observa uma intensificação das atividades da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em suas fronteiras ocidentais. A aliança justifica suas ações como medidas de contenção à agressão.
O governo russo já manifestou, em diversas ocasiões, preocupação com o aumento da presença militar do bloco na Europa. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia reiterou disposição para o diálogo com a OTAN, desde que em condições de igualdade e mediante o abandono, por parte do Ocidente, da política de militarização do continente.
Por Sputnik Brasil