Mesmo com guerra em Brasília, 'ninguém quer se associar a votação impopular', dizem analistas
Especialistas apontam que projetos com forte apelo popular têm mais chances de avançar, enquanto pautas impopulares são evitadas por parlamentares às vésperas das eleições.
Faltando cinco meses para as eleições no Brasil, a disputa pelo poder em Brasília ganhou novos contornos na última semana. O Senado rejeitou Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Supremo Tribunal Federal (STF). Um dia depois, o Congresso derrubou os vetos de Lula ao projeto de lei da Dosimetria, que reduziria as penas dos condenados pela trama golpista, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Executivo possui projetos com potencial para gerar votos nas eleições, mas que podem ser travados no Senado. Um deles é o fim da escala 6x1, que avança na Câmara e pode ser pautado no fim de maio, dependendo ainda da liberação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para ir ao plenário.
Para o cientista político Ricardo Ismael, pautas com forte apelo popular, como o fim da escala 6x1 e a PEC da Segurança Pública, tendem a ter caminhos diferentes no Congresso. “É possível, até pela repercussão, que o fim da escala 6x1 seja apoiado por integrantes do Centrão, já que ninguém quer se associar a uma votação impopular”, analisa.
A cientista política Tayná Paolino complementa ao afirmar que há risco de as pautas do governo se tornarem instrumentos de negociação no Legislativo. “Projetos de grande impacto social, como a PEC da Segurança e o fim da escala 6x1, podem ficar parados não necessariamente por falta de relevância, mas porque a agenda do Congresso passa a ser usada como moeda de negociação”, avalia.
Por Sputnik Brasil