SEGURANÇA PÚBLICA

Polícia investiga perfis que divulgaram vídeo de estupro coletivo contra crianças em SP

Mais de 70 perfis foram identificados por compartilhar imagens do crime; responsáveis podem responder por divulgação de conteúdo de pedofilia, segundo a Polícia Civil.

Publicado em 05/05/2026 às 22:13
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil de São Paulo identificou mais de 70 perfis de redes sociais que compartilharam vídeos do estupro coletivo contra duas crianças, de 7 e 10 anos, ocorrido em 21 de abril, na zona leste da capital paulista. O trabalho foi realizado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad) da Secretaria da Segurança Pública do Estado. Os responsáveis pela divulgação das imagens agora serão investigados.

O Noad solicitou à ONG The National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC) a exclusão dos perfis identificados. O NCMEC atua como repositório central para denúncias de exploração infantil e, ao ser acionado, contata as principais plataformas de redes sociais para impedir a circulação do conteúdo impróprio. Os dados dos perfis serão preservados para fins de investigação.

O crime aconteceu em 21 de abril, quando um adulto e quatro adolescentes praticaram estupro coletivo contra as crianças em uma residência na comunidade de União de Vila Nova, registrando a violência em vídeo pelo celular.

As imagens mostram as vítimas chorando e pedindo insistentemente o fim das agressões. Posteriormente, o grupo divulgou as cenas nas redes sociais.

Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), divulgar esse tipo de conteúdo é crime, com pena prevista de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa.

Até mesmo quem compartilhou o vídeo com a intenção de ajudar na investigação pode ser responsabilizado. No entanto, a delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, responsável pelo Noad, afirma que é possível distinguir quem compartilhou sem conhecimento da lei de quem agiu de forma criminosa. "A primeira evidência para isso é a criação de perfis falsos com a única intenção desse compartilhamento", explica.

O monitoramento dos perfis que divulgaram o vídeo segue em andamento. "Nossa vigilância é 24 horas, sete dias por semana. Um relatório técnico é gerado e encaminhado para as equipes responsáveis, independentemente da localização do perfil", detalha a delegada.

O 63º Distrito Policial também apura quem realizou o compartilhamento original das imagens brutas. "Estamos investigando quem conhecia os envolvidos e divulgou o material bruto, pois essas pessoas podem responder por divulgação de pedofilia, crime previsto no ECA", afirma o delegado titular Júlio Geraldo. Ele acrescenta que outros inquéritos poderão ser abertos para aprofundar a investigação sobre novas publicações do conteúdo.

Indiciamento

Alessandro Martins dos Santos, de 21 anos, único adulto envolvido, foi indiciado por estupro de vulnerável, divulgação de vídeo de pedofilia e corrupção de menores. Após o crime, ele fugiu para a Bahia, mas foi localizado e retornou a São Paulo, onde prestou depoimento à polícia nesta terça-feira (5) e teve a prisão temporária decretada.

Os quatro adolescentes também foram apreendidos e suas condutas serão avaliadas pelo Juizado Especial da Infância e Juventude. Segundo a polícia, todos confessaram participação no crime. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos envolvidos.

O delegado Júlio Geraldo relatou que nenhum dos acusados demonstrou arrependimento pelos crimes. "Não sentimos qualquer espécie de remorso. O que incomodou foi o risco de punição e o medo das consequências. Em nenhum momento percebemos arrependimento", afirmou.

Ele acrescentou: "O que percebemos nos depoimentos é uma insensibilidade diante do sofrimento das vítimas. Falam com tranquilidade, inclusive o adulto, que classificou tudo como 'zoeira'. Foram atos de sadismo", concluiu.