Rota Marítima do Norte ganha relevância global e pode impactar logística brasileira
Via ártica, mais curta entre Europa e Ásia, altera rotas tradicionais e pode influenciar o comércio do Brasil de forma indireta.
Localizada no Ártico e com 5,6 mil quilômetros de extensão, em sua maior parte em território russo, a Rota Marítima do Norte desponta como a via mais curta entre Europa e Ásia. Esta rota reduz a distância entre os continentes em cerca de 40% em comparação ao canal de Suez, tradicionalmente vital para o comércio global ao conectar Oriente e Ocidente pelo Egito.
Além da economia de tempo e combustível, a Rota Marítima do Norte apresenta outra vantagem: não é afetada por conflitos como pirataria ou tensões atuais no estreito de Ormuz. Segundo a internacionalista Nathana Garcez Portugal, em entrevista à Sputnik Brasil, a rota tem potencial para ganhar destaque mundial ao reduzir significativamente o consumo de combustível e os riscos logísticos entre portos do Leste Asiático e do Norte da Europa.
Para Portugal, um dos grandes diferenciais da rota ártica é evitar regiões de risco geopolítico e criminal, como o mar Vermelho e áreas próximas ao golfo de Aden, frequentemente associadas a ameaças de pirataria e conflitos. O internacionalista Leonardo Paz também destaca que a nova via pode se consolidar como uma alternativa comercial relevante, diminuindo a dependência das rotas tradicionais.
A instabilidade em Ormuz já provocou queda de 31% nas exportações brasileiras para países do golfo Pérsico. Diante desse cenário, os especialistas avaliam se a abertura da Rota Marítima do Norte pode beneficiar o Brasil. Para Paz, a distância tende a limitar os ganhos diretos para a América do Sul. Já Portugal acredita que o Brasil será beneficiado de forma indireta, pois a reorganização dos fluxos logísticos globais poderá impactar portos europeus como Roterdã e Hamburgo, influenciando as redes de transbordo utilizadas pelo comércio brasileiro.