Lula levará a reunião com Trump proposta de acordo de combate ao crime organizado, diz Alckmin
Presidente brasileiro pretende discutir parceria com os EUA para enfrentar organizações criminosas transnacionais
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (5) que o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente norte-americano Donald Trump, previsto para esta quinta-feira (7) em Washington, será uma oportunidade estratégica para a assinatura de acordos bilaterais em diversas áreas.
Segundo Alckmin, Lula não impôs restrições à pauta. “Não há tema proibido. Vamos conversar sobre big techs, terras raras, data centers, política tarifária e não tarifária. É uma agenda importante”, declarou em entrevista à GloboNews. O vice-presidente acrescentou estar confiante quanto aos resultados do encontro.
Entre os temas a serem apresentados, Lula pretende propor a assinatura de um novo acordo de combate ao crime organizado. “Esse é um tema que o presidente Lula já levou ao presidente Trump e vai reforçar: um acordo para combater organizações criminosas transnacionais. Podemos ampliar parcerias em controle de fluxo financeiro e investigação. É um tema extremamente relevante”, destacou Alckmin.
O acordo deve abranger questões como tráfico de combustíveis, drogas e armas. “Estados Unidos e Brasil podem atuar juntos no combate ao crime organizado transnacional, seja envolvendo combustível, drogas, armas ou outros crimes”, completou o vice-presidente.
Sobre as big techs, Alckmin ressaltou o interesse do governo brasileiro em ampliar investimentos americanos no país. “O que o Brasil fez em regulação, como o ECA digital, visa proteger crianças e famílias. Estamos abertos ao diálogo”, afirmou.
Entenda o acordo entre Brasil e EUA sobre combate ao crime organizado assinado em abril
No mês passado, Brasil e Estados Unidos firmaram um acordo de cooperação para intensificar o combate ao crime organizado transnacional, com foco na interceptação de cargas ilícitas de armas e drogas entre os dois países. Entre as medidas, destaca-se a implementação de um programa para compartilhamento de informações em tempo real.
O acordo avançou após o governo Trump sinalizar a intenção de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas — uma proposta rejeitada pelo governo Lula. O pacto visa integrar esforços de inteligência e intensificar operações conjuntas, dentro de uma agenda bilateral mais ampla para enfrentar o crime organizado transnacional.
Na prática, a iniciativa, chamada projeto MIT (Mutual Interdiction Team), funciona como cooperação mútua entre a Receita Federal do Brasil, com interlocução direta com a Polícia Federal, e a agência de fronteiras dos Estados Unidos, U.S. Customs and Border Protection (CBP).
Como exemplo, autoridades citam a descoberta de um contêiner com peça de fuzil vindo da Flórida. Nesses casos, o objetivo é que os americanos sejam comunicados imediatamente para também conduzirem investigações a partir do ponto de origem.