Lavrov e chanceler do Catar defendem solução pacífica para crise no estreito de Ormuz
Ministros das Relações Exteriores da Rússia e do Catar enfatizam importância do diálogo e rejeitam uso da força na região estratégica.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, e o chanceler do Catar, Mohamed bin Abdulrahman Al Thani, destacaram nesta terça-feira (5) a necessidade de afastar o uso da força como solução para a crise em torno do estreito de Ormuz, segundo informou a chancelaria russa.
"Foi expressa a opinião geral sobre a necessidade de abandonar as tentativas de resolver a crise pela força e de unir os esforços de todas as partes interessadas para facilitar uma solução sustentável de longo prazo, incluindo acordos sobre medidas que garantam os interesses legítimos de segurança de todos os países do golfo Pérsico e os princípios de liberdade de navegação", afirmou o comunicado oficial.
Mais cedo, Lavrov e Al Thani mantiveram uma longa conversa telefônica sobre o conflito no Oriente Médio e os impactos para toda a região.
O chanceler russo também dialogou com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ocasião em que trocaram opiniões sobre temas internacionais, incluindo a situação no Irã.
O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e 25% do gás natural, é considerado uma das rotas mais estratégicas para a economia global e tem sido afetado pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Em resposta à continuidade das disputas na região, o governo iraniano instituiu um novo protocolo para o trânsito de embarcações no estreito. A fiscalização ficará sob responsabilidade da recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Persa (PSGA, na sigla em inglês), conforme informou a Press TV.
As embarcações que desejarem cruzar o estreito receberão orientações por e-mail para garantir uma passagem segura. "Os navios são obrigados a ajustar suas operações conforme as diretrizes dessa entidade e obter autorização de trânsito antes de cruzar o estreito de Ormuz", destacou o comunicado.
No dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, resultando em danos e vítimas civis. O Irã respondeu com ataques de retaliação a Israel e a bases militares dos EUA no Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Em 7 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas. No entanto, as negociações realizadas posteriormente em Islamabad, no Paquistão, terminaram sem avanços, levando o presidente norte-americano, Donald Trump, a estender a trégua para dar ao Irã tempo de apresentar uma "proposta unificada".
O secretário Marco Rubio chegou a anunciar que a ofensiva contra o Irã foi encerrada após mais de dois meses de confrontos e tensões no Oriente Médio. Em coletiva na Casa Branca, Rubio afirmou que os Estados Unidos atingiram seus objetivos e que o presidente Trump prefere o diálogo ao confronto.