RESULTADOS FINANCEIROS

Tenda registra lucro líquido de R$ 183,4 milhões no 1º trimestre de 2026

Construtora impulsiona desempenho com lançamentos, vendas e receita recorde, apesar de desafios na divisão Alea.

Publicado em 05/05/2026 às 18:40
Reprodução

A Tenda, uma das principais construtoras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), registrou lucro líquido consolidado de R$ 183,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, representando um crescimento expressivo de 114,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O desempenho positivo foi impulsionado pela ampliação dos lançamentos e vendas nos últimos trimestres, o que resultou em receita recorde e diluição de custos, refletindo na melhora das margens operacionais.

"Nossos resultados foram muito bons, fruto do crescimento das operações e de uma execução bem-sucedida", afirmou Luiz Maurício Garcia, diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Tenda.

A Divisão Tenda, especializada em empreendimentos de concreto, foi responsável pelo maior ganho, com lucro de R$ 216,2 milhões e margem bruta ajustada de 37,9%, alta de 1,6 ponto percentual.

Já a divisão Alea, que atua com estruturas pré-moldadas de madeira, apresentou prejuízo de R$ 32,8 milhões e margem bruta negativa em 1,2%. O crescimento acelerado da Alea levou a estouros de orçamento e, no ano passado, a uma reorganização do negócio, com redução do número de canteiros de obras.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado e ajustado somou R$ 256,7 milhões no trimestre, alta de 67,9% na comparação anual, com margem Ebitda ajustada de 21,7%, avanço de 4 pontos percentuais. O critério "ajustado" exclui juros capitalizados, despesas com planos de ações e minoritários.

A receita líquida consolidada atingiu R$ 1,185 bilhão, novo recorde para a companhia, representando expansão de 36,9%. O aumento foi puxado pelo maior volume de apartamentos vendidos, evolução das obras e crescimento do preço médio por unidade, que chegou a R$ 239,9 mil, alta de 8,4% em relação ao ano anterior.

As despesas operacionais consolidadas (vendas, gerais e administrativas) subiram 31,3%, totalizando R$ 176,2 milhões. O resultado financeiro ficou negativo em R$ 37,2 milhões, aumento de 14,9%.

A Divisão Tenda gerou caixa de R$ 129,5 milhões no período, enquanto a Alea consumiu R$ 17,4 milhões – valor que, anualizado, fica abaixo da meta de R$ 60 milhões a R$ 80 milhões para o ano. A dívida líquida do grupo chegou a R$ 324,9 milhões, alta de 22% frente ao fim do ano passado.

Gestão de custos

Segundo o diretor financeiro, a Tenda está "bem protegida" contra o aumento dos custos no setor de construção. Para este ano, a empresa provisionou inflação de 7% mais um adicional de 4% para eventuais imprevistos.

Além disso, as parcelas pré e pós-chaves dos clientes são corrigidas pela inflação. Garcia destacou ainda a agilidade da companhia em reajustar os preços de venda dos imóveis, criando uma margem extra para absorver impactos inflacionários.

"Estamos bem protegidos para esse risco de alta de custos que está se materializando, porque adotamos uma postura mais conservadora", afirmou. Com isso, a margem do resultado dos exercícios futuros (Margem REF) subiu de 41,9% no final do ano passado para 42,2% no início deste ano.