Taxas de juros recuam com alívio nas tensões no Oriente Médio e queda do petróleo
Redução dos riscos geopolíticos e recuo do petróleo trazem alívio às curvas de juros no Brasil e no exterior.
A correção nas cotações do petróleo, impulsionada pela percepção de que o conflito no Oriente Médio não se agravou e o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã permanece, abriu espaço para alívio nas curvas de juros globais nesta terça-feira (5). Esse movimento beneficiou também o mercado brasileiro.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,209% para 14,15%. O DI para janeiro de 2029 recuou para 13,%, ante 13,859% no ajuste anterior. Já o DI para janeiro de 2031 fechou em 13,%, frente a 13,879% no ajuste anterior.
Os contratos futuros de petróleo registraram queda de cerca de 4% na sessão, influenciados por sinais de que o governo Trump manterá o cessar-fogo com o Irã, mesmo após ataques ocorridos na segunda-feira no Estreito de Ormuz. Apesar da queda, tanto o barril do Brent quanto o do WTI seguem acima de US$ 100. Outro fator que contribuiu para o otimismo dos investidores foi a passagem segura de um navio de bandeira americana pelo estreito. Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, dois navios já cruzaram a rota estratégica sob escolta americana e estão seguros.
Além do conflito entre EUA e Irã, que tem sido o principal fator de influência no mercado local de renda fixa, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) também impactou a curva de juros. Apesar da queda generalizada das taxas futuras, analistas destacaram que a postura 'hawkish' do Banco Central contribuiu para uma redução mais acentuada nos vencimentos intermediários do que nos de prazo mais longo. Isso reflete a expectativa de que os juros possam cair menos no futuro.
O head de renda fixa da Porto Asset, Gustavo Okuyama, afirmou que o principal fator para o comportamento dos DIs na sessão foi novamente o ambiente externo. "Após um dia com notícias muito negativas sobre a guerra, houve uma reprecificação global dos juros na segunda-feira. Já nesta terça, a ausência de novos incidentes e declarações mais positivas permitiram um ajuste para baixo nas taxas, acompanhando o fechamento dos retornos dos Treasuries em toda a curva. No entanto, as taxas ainda fecharam apenas uma fração do que haviam subido na segunda-feira. O mercado precisa de uma resolução mais firme para se animar", avaliou.
Okuyama observou ainda que, ao contrário de outros países, o Brasil segue em um ciclo de redução da taxa básica de juros, o que foi reafirmado pela ata do Copom e pode ter contribuído para uma descompressão maior dos DIs nesta terça-feira.
Profissionais consultados pela Broadcast e pelo head de renda fixa da Porto Asset consideraram que a ata trouxe elementos levemente mais 'hawkish' do que o comunicado anterior. Segundo análise do BTG Pactual, destacam-se a menção à desancoragem adicional das expectativas inflacionárias para horizontes mais longos, especialmente 2028; o alerta de que as leituras recentes de inflação vieram significativamente acima do esperado; e a reafirmação do compromisso de combater efeitos de segunda ordem do choque do petróleo.
Para Okuyama, mesmo com o conflito em destaque, a ata influenciou o formato da curva, especialmente nos vencimentos médios e longos, que recuaram menos em relação aos intermediários. "A ata impactou o formato da curva. Apesar de todos os vértices fecharem, os longos fecharam menos que o miolo. Isso geralmente reflete a expectativa de que os juros possam cair menos adiante", concluiu.
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