Déficit habitacional atinge 5,77 milhões de moradias no Brasil e expõe entraves estruturais ao desenvolvimento
Em meio a desafios de infraestrutura, produtividade e capacidade estatal, debate sobre "economia da abundância" ganha força e inspira lançamento de obra no país
São Paulo, abril de 2026 - O Brasil vive um momento paradoxal. Ao mesmo tempo em que indicadores recentes mostram avanços na redução do déficit habitacional, o país ainda enfrenta gargalos estruturais que impactam diretamente o acesso à moradia, à infraestrutura e à qualidade de vida. Esse cenário tem impulsionado um debate mais amplo sobre desenvolvimento, produtividade e capacidade de entrega do Estado.
Segundo dados atualizados do Ministério das Cidades, com base na Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional brasileiro caiu para 5,77 milhões de moradias em 2024, o equivalente a 7,4% dos domicílios, o menor patamar da série histórica. Ainda assim, o número revela a dimensão do desafio, já que milhões de famílias seguem sem acesso a uma moradia adequada, especialmente nas faixas de menor renda, onde o custo do aluguel segue como principal fator de pressão.
Além disso, cerca de 25% das famílias brasileiras ainda vivem em condições consideradas inadequadas, incluindo moradias precárias ou com infraestrutura insuficiente. O dado reforça que o problema habitacional no país não se limita à quantidade de unidades disponíveis, mas envolve também qualidade, localização e acesso a serviços básicos.
É nesse contexto que ganha relevância o debate proposto no livro Abundância: como construir um futuro melhor para todos, dos jornalistas Ezra Klein e Derek Thompson. A obra parte da premissa de que a escassez não é inevitável, mas resultado de decisões políticas, econômicas e institucionais que limitam a capacidade de produzir e inovar.
“O mundo não sofre apenas por falta de recursos, mas por entraves que impedem que eles se transformem em soluções concretas. A escassez, muitas vezes, é resultado de escolhas institucionais e políticas que limitam nossa capacidade de construir e inovar”, afirma Ezra Klein, autor de Abundância.
Nos últimos anos, temas como transição energética, expansão urbana, mobilidade e produtividade da construção passaram a ocupar o centro das discussões públicas. No Brasil, a retomada de programas habitacionais e o aumento de investimentos em infraestrutura indicam uma tentativa de resposta, mas ainda enfrentam desafios históricos como burocracia, insegurança regulatória e baixa eficiência na execução de obras.
Esse debate não é exclusivo do país. Em diversas economias, cresce a discussão sobre a necessidade de ampliar a oferta em setores estratégicos como habitação, energia e transporte. A proposta envolve destravar investimentos, simplificar processos e aumentar a capacidade de implementação de políticas públicas.
O livro, que chega agora ao Brasil, já é um fenômeno internacional. Abundância alcançou o primeiro lugar na lista de mais vendidos do New York Times, foi recomendado por Barack Obama e Bill Gates e figurou entre os finalistas do prêmio de Livro do Ano do Financial Times em 2025.
Ao longo de 304 páginas, a obra apresenta uma análise baseada em dados históricos e casos concretos para argumentar que o progresso depende da capacidade de construir mais e melhor, seja em moradia, infraestrutura ou energia limpa, em um ritmo compatível com as demandas da sociedade contemporânea.
“O lançamento de Abundância no Brasil é uma oportunidade de ampliar esse debate em um momento decisivo para o país, trazendo evidências, exemplos concretos e caminhos possíveis para superar gargalos estruturais e construir um futuro mais próspero e inclusivo”, conclui Derek Thompson, também autor da obra.
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