Confiança do comércio recua 1% em abril após cinco meses de alta, aponta CNC
Índice de Confiança do Empresário do Comércio interrompe sequência positiva diante de cenário internacional incerto e pressões inflacionárias.
Os comerciantes brasileiros demonstraram menor otimismo em abril, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec) registrou queda de 1% em relação a março, já descontados os efeitos sazonais.
Esse resultado encerra uma sequência de cinco meses consecutivos de alta, reflexo de um ambiente de maior cautela diante das incertezas internacionais e do ano eleitoral.
"O otimismo do empresariado foi impactado por fatores geopolíticos e domésticos. As tensões entre EUA e Irã elevaram o preço internacional do petróleo, pressionando os custos de combustíveis e gerando incertezas sobre a inflação e o ritmo da política monetária", avaliou a CNC.
O índice atingiu 105,6 pontos, permanecendo acima do patamar de satisfação (100 pontos). Na comparação anual, frente a abril de 2023, o Icec apresentou alta de 2,9%.
Na passagem de março para abril, o componente de avaliação das condições atuais avançou 1,1%, com destaque para os itens economia (1,5%), empresa (1%) e setor (0,8%). Já o componente das expectativas recuou 2,3%, com quedas nos quesitos economia (-3,1%), setor (-2,4%) e empresa (-1,6%). As intenções de investimentos também diminuíram 0,9%, apesar do aumento nos investimentos na empresa (0,5%); houve redução em contratação de funcionários (-1,8%) e estoques (-1,2%).
"O comércio brasileiro tem demonstrado uma resiliência notável, sustentada pela força do mercado de trabalho e pela recuperação da renda real. Contudo, o momento exige cautela e serenidade. O aumento da incerteza externa e as pressões inflacionárias globais demandam um ambiente interno de previsibilidade e estabilidade", declarou o presidente da CNC, José Roberto Tadros, em nota à imprensa.
Entre os setores varejistas, a maior queda na confiança foi registrada entre os comerciantes de bens de consumo duráveis (eletrônicos e veículos), com recuo de 1,4% em relação a março. O setor de bens semiduráveis (roupas, calçados e acessórios) apresentou redução de 1,1%, enquanto o segmento de bens não duráveis (supermercados e farmácias) teve queda de 0,5%.