Iraniana vencedora do Nobel está 'entre a vida e a morte' após internação
Narges Mohammadi, ativista presa pelo regime iraniano, enfrenta grave crise de saúde após dias de negligência médica, segundo familiares e fundação.
Narges Mohammadi , ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2023 e atualmente detida pelo regime do Irã, encontra-se em estado crítico após ser hospitalizada sob custódia policial nos últimos cinco dias devido a um grave problema cardíaco.
“Não estamos lutando apenas pela liberdade de Narges, estamos lutando para que seu coração continue batendo”, afirmou a advogada Chirinne Ardakani, que reside em Paris, durante coletiva de imprensa com apoiadores. Segundo ela, a laureada está “entre a vida e a morte”.
Na última sexta-feira (1º), Narges foi concentrado com urgência da prisão para um hospital no noroeste do país, após uma “deterioração catastrófica” de sua saúde, conforme relato da Fundação Narges Mohammadi.
A entidade informou que um ativista sofreu dois episódios de perda total de consciência e uma grave crise cardíaca. De acordo com a fundação, ela desmaiou duas vezes na prisão em Zanjan, perdeu 20 kg e sofreu um enfarte no final de abril.
A transferência hospitalar ocorreu “após 140 dias de negligência médica sistemática” desde sua prisão em 12 de dezembro, segundo a fundação. Narges iniciou uma greve de fome em fevereiro e foi condenado a mais sete anos de prisão.
“Esta transferência foi realizada, depois que os médicos da prisão determinaram que sua condição não poderia ser tratada no local — apesar das recomendações acima para que fosse atendida por sua equipe de especialistas em Teerã”, declarou a fundação.
Socorro pode ter chegado tarde demais, diz família
Familiares de Mohammadi vinham solicitando sua transferência para instalações médicas adequadas há semanas. Para a fundação, citando os parentes, a ida ao hospital em Zanjan foi “uma ação desesperada de última hora, que pode ser tardia demais para suprir suas necessidades críticas”.
O irmão de Narges, Hamidreza Mohammadi, residente em Oslo, na Noruega, declarou em mensagem de áudio compartilhada pela fundação à Associated Press que a família está “lutando por sua vida”.
Com agências internacionais.