Astrônomos identificam estrela de hipervelocidade ejetada do centro da Via Láctea
Estrela DESI-HVS1, de baixa massa, foi expulsa há quase 13 milhões de anos após interação com buraco negro supermassivo, aponta estudo.
Os astronômos localizamos, pela primeira vez, um forte candidato a estrela de hipervelocidade de baixa massa que está escapando pela Via Láctea.
Segundo estudo publicado no site arXiv.org, a estrela DESI-HVS1 teria integrado um sistema duplo e foi ejetada há cerca de 13 milhões de anos, durante uma aproximação com o buraco negro supermassivo que reside no centro de nossas galáxias.
Estrelas de hipervelocidade apresentam velocidades significativamente superiores (geralmente acima de 500 km/s) em comparação com a média da população estelar, o que pode permitir até mesmo que escapem de suas galáxias de origem.
Essa manifestação pode ser explicada pelo chamado mecanismo de Hills, em que a gravidade de um buraco negro supermassivo desestabiliza um sistema estelar duplo, fazendo com que uma das estrelas seja capturada e a outra ejetada em altíssima velocidade. Outros processos, como explosões de supernovas em sistemas binários compactos, interações dinâmicas em aglomerados globulares ou fusões de galáxias satélites com a Via Láctea, também podem gerar estrelas de hipervelocidade, conforme explicado no portal Phys.org.

A equipe liderada por Shunhong Deng, da Universidade da Academia de Ciências da China, anunciou a identificação do primeiro bom candidato a estrela antiga, de baixa massa, e hiperveloz.
De acordo com os pesquisadores, DESI-HVS1 pertence ao tipo espectral F, possui massa estimada entre 0,74 e 0,79 vezes ao Sol, temperatura efetiva de 6.198 kelvins (aproximadamente 5.925 °C) e baixa concentração de metais. Sua idade é estimada em cerca de 14,1 bilhões de anos, ela está a cerca de 12.300 anos-luz da Terra e se afasta da Via Láctea.
Os cálculos indicam que, há aproximadamente 12,9 milhões de anos, o DESI-HVS1 esteve a uma distância mínima de 1.300 anos-luz do buraco negro supermassivo Sagittarius A*, adquirindo velocidade de 682 km/s, provavelmente devido ao mecanismo de Hills.
Por Sputnik Brasil