DIPLOMACIA INTERNACIONAL

Tarifas e segurança regional devem pautar encontro entre Lula e Trump, aponta mídia

Visita de Lula a Washington ocorre em meio a pressões sobre tarifas, crime organizado e disputa geopolítica por minerais estratégicos.

Publicado em 05/05/2026 às 10:16
Lula em Washington: tarifas, segurança regional e minerais críticos em pauta com Trump. © Foto / Ricardo Stuckert / Palácio do Planalto

Lula inicia agenda em Washington para debater tarifas, crime organizado e minerais críticos com Donald Trump, enquanto Flávio Bolsonaro pede monitoramento internacional das eleições brasileiras, aumentando a relevância política da visita diante de tensões diplomáticas e discussões sobre segurança regional.

Durante passagem pelos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou o irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no processo que condenou Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Flávio também participou da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas.

No evento, o pré-candidato à Presidência e principal opositor de Lula pediu que os EUA e outros países "observem as eleições do Brasil com enorme atenção", defendendo monitoramento da liberdade de expressão e "pressão diplomática" para assegurar o funcionamento das instituições. Flávio ainda declarou que "o Brasil é a solução dos Estados Unidos para romper a dependência da China" em minerais críticos.

Nesse contexto, a visita de Lula a Washington ganha peso diplomático e serve para reforçar sua imagem de "estadista" na campanha, conforme destacou um jornal de grande circulação. Entre os temas centrais do encontro estão a guerra contra o Irã e as tarifas sobre exportações brasileiras.

Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou a tarifa de 50% imposta por Trump a produtos do Brasil. No entanto, o governo norte-americano afirmou que segue investigando Brasil e China por supostas práticas comerciais desleais. "Se essas investigações concluírem que existem práticas comerciais desleais [...] as tarifas são uma das ferramentas que podem ser impostas", informou o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) em nota.

Outro ponto delicado é a possível classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA, o que preocupa autoridades brasileiras quanto à soberania nacional. Em março, o Departamento de Estado norte-americano declarou a um jornal brasileiro que considera facções brasileiras uma ameaça relevante à segurança regional.

Lula também pretende discutir com Trump o fortalecimento da cooperação bilateral no combate ao crime organizado, com ênfase em lavagem de dinheiro, tráfico de armas e intercâmbio de dados financeiros — áreas em que o governo brasileiro busca ampliar parcerias.

A exploração de minerais críticos será outro tema de destaque. Os EUA convidaram o Brasil a integrar uma coalizão internacional para mineração, refino e fornecimento de insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras raras, além de propor mecanismos de preço mínimo para reduzir a volatilidade do mercado.

Por fim, a situação política da Venezuela deve integrar a pauta. Lula critica desde o início a intervenção militar norte-americana que resultou na prisão de Nicolás Maduro em janeiro. A vice Delcy Rodríguez assumiu interinamente com apoio dos EUA, e o impacto desse cenário na América do Sul será debatido entre os presidentes.

Por Sputinik Brasil