ECONOMIA E ELEIÇÕES

Durigan afirma que revisão de gastos não avança em ano eleitoral

Ministro da Fazenda destaca dificuldade de discutir cortes no Congresso às vésperas das eleições e comenta temas como salário mínimo e 'taxa das blusinhas'.

Publicado em 05/05/2026 às 08:05
Reprodução / internet

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, 4, que a discussão sobre revisão de gastos públicos é praticamente inviável neste momento, devido à proximidade das eleições. Durante entrevista ao programa Roda Viva , da TV Cultura, Durigan destacou que não há clima político para avançar com projetos desse tipo em 2024.

“É claro que agora – estamos em maio, temos eleição em outubro – não vamos conseguir aprovar e discutir temas no Congresso Nacional que façam revisão de gastos”, declarou. O ministro revelou que, junto com o ex-ministro Fernando Haddad, tentou avançar com diretrizes semelhantes no fim de 2024, mas sem sucesso em diversos casos.

Sobre a política de reajuste do salário mínimo, Durigan lembrou que o atual governo já realizou uma revisão do mecanismo. "A política de reajuste do salário mínimo foi revista no fim de 2024. E debates como esse não são tabu, podemos voltar a discutir. O que estou dizendo é que, de maio a outubro, é praticamente impossível que o Ministério da Fazenda e a equipe econômica apresentem uma política de revisão de gastos, quando, na verdade, ninguém quer tratar desse tema agora." Apesar disso, o ministro defendeu que o debate sobre os gastos públicos deve ser “contínuo” no país.

'Taxa das blusinhas'

Na entrevista, Durigan também comentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não define se irá zerar o imposto de 20% sobre compras em sites internacionais, conhecido popularmente como “taxa das blusinhas”.

“Confesso que não houve uma discussão e uma resposta definitiva do presidente sobre esse tema. É um tema que ficou, de certa forma, equacionado por um período, mas que, no momento eleitoral, por ser muito popular, volta a aparecer no Congresso”, explicou Durigan.

Durante o programa, o ministro bordou ainda o Novo Desenrola Brasil e as elevadas taxas do rotativo do cartão de crédito.

Segundo Durigan, a dívida das famílias com cartão de crédito permanece muito alta. Para ele, a solução passa por regulação e inteligência, e não apenas por limites nas taxas. “Temos que melhorar a situação do consumidor, que hoje possui vários cartões e muitas vezes nem sabe os juros que estão incorretos ao usar o cartão. Então, vamos precisar avançar muito nesse aspecto”, afirmou o ministro.