Durigan prevê resultado negativo dos Correios de até R$ 10 bilhões em 2024
Ministro da Fazenda reconhece desafios financeiros e defende reestruturação da estatal, sem descartar alternativas como privatização.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira (4), que os Correios enfrentavam sérios desafios financeiros. Segundo ele, a atual gestão da estatal, liderada por Emmanoel Rondon, já apresentou um plano robusto para enfrentar a crise, incluindo corte de gastos , aprimoramento da receita e parcerias estratégicas , tanto nacionais quanto internacionais.
"É inegável, eles tiveram um resultado ruim, tiveram uma troca de gestão. O Emmanoel Rondon, que é o atual presidente dos Correios, apresentou um plano que é muito bom, que envolve uma série de medidas para cortar gastos, aprimorar receita, fazer parcerias internacionais, parcerias dentro do País, e é com base nesse plano de reestruturação que apoiamos esses Correios do futuro", afirmou Durigan.
O destacou que, em 2025, os Correios registraram um resultado negativo de R$ 4 bilhões e, para 2026, a expectativa do ministro é de um déficit ainda maior, podendo chegar a R$ 10 bilhões. "Mas, de novo, é uma questão que nós temos que encarar de frente. Os Correios têm um ônus, que é entregar a universalidade para o País todo. Quando você fala com agentes privados, eles dizem que 'a gente é mais eficiente que os Correios, mas eu não entrego notificação judicial para a população ribeirinha no Amazonas'. Não entrega, os Correios entregam", ressaltou.
Durigan frisou que a universalização dos serviços gera um déficit operacional significativo. "Então, de fato, há um déficit que existe nos Correios, que precisa ser endereçado, e eu sou o maior defensor disso, não defendo o déficit estatal. O déficit estatal tem que ter outra saída, outra solução", completou.
Sobre a possibilidade de privatização, o ministro afirmou não ter restrições, mas ponderou: “Também não acho que a privatização seja saída fácil, porque para muita gente é 'privatiza tudo'. Não privatizou nada, o presidente Lula acabou privatizando mais do que o governo anterior, ou fazendo concessão. Então, não acho que seja bala de prata também”.
Por fim, Durigan avaliou que os Correios passam atualmente por um processo de reavaliação da cadeia logística. "Então, se armazenamento, ou se entrega de medicamento, ou se entrega de notificação judicial precisa passar por um processo de joint venture, que se faz. Eu sou bem favorável à flexibilização", concluiu.